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Re-União 2017

Exclusivo: Jornalista burla decisão do STF e entrevista Lula na cadeia. Leia aqui

October 1, 2018

CURITIBA – A decisão do ministro Luiz Fux desfazendo a do ministro Ricardo Lewandowski, findando por proibir o ex-presidente Lula de dar entrevista às vésperas das eleições, pegou a imprensa brasileira de surpresa.

Impedida de realizar a entrevista pretendida, à Folha de São Paulo restou se queixar em suas páginas a vedação, enquanto decisão em sentido contrário não é proferida derivada de um dos recursos interpostos na Suprema Corte.

 

O autor da presente matéria, no entanto, conseguiu ter acesso à cela em que o ex-presidente Lula se encontra encarcerado no início da tarde de hoje, onde realizou, com exclusividade, a entrevista ora publicada.

 

Em nome do bom jornalismo, cabe esclarecer que consegui entrar na carceragem usando uma fantasia carnavalesca de poste, fazendo com que os agentes da Polícia Federal me confundissem com o candidato à presidência Fernando Haddad.

 

Ao transpor a grade de ferro que dá origem ao corredor da carceragem onde cumprem pena os condenados por corrupção passiva, um carcereiro explicou que aquela é uma das alas mais tranquilas daquela unidade, onde os apenados estão divididos pela natureza do crime que cometeram.

“O corredor do outro lado é o do pessoal da lavagem de dinheiro. É um dos mais limpos dessa unidade, já quase todo dia os próprios presos fazem faxina. Ao lado fica o pessoal do peculato, onde tem que se ter sempre cuidado para não ter a carteira subtraída, como já aconteceu uma vez comigo”, revela o agente.

 

Ao passar pelas celas, vários rostos conhecidos, que até pouco tempo estampavam as páginas de política dos jornais, por ocuparem ministérios e cadeiras no parlamento, enchiam o lado de lá das grades, de onde olhavam com ar de deboche e diziam grosserias tais como “vai fazer visita íntima para chefe?”, “coloca essa moça aqui no calabouço para eu ocultar meu patrimônio”, entre outras frases típicas das cadeias em que cumprem penas condenados em crimes do colarinho branco.

 

Chegando à cela do ex-presidente, ele, antes mesmo de dizer boa tarde, foi logo perguntando pelos cigarros.

“Trouxe meu cigarro, Haddad?”, mas ao olhar com atenção, notou que não se tratava de seu correligionário, tornando inadiável de minha parte o esclarecimento sobre minha identidade.

 

Joselito Müller – O Fux proibiu o senhor de dar entrevista à Folha, então eu decidi vir aqui fazer a entrevista com exclusividade…

Lula – Tá, filho da puta. Já que veio, senta aí e vamos começar. Aceita uma cerveja?

Joselito Müller – Obrigado, mas eu vou dirigir quando sair daqui.

Lula – Eu dirigi um país por oito anos sob efeito de álcool, então você pode beber e dirigir também – disse Lula me dando uma lata de Schincariol.

Joselito Müller – Tem alguma coisa para tira-gosto?

(Lula foi até o frigobar, pegou uns kibes e colocou no micro-ondas)

Lula – Esses kibes aqui são do restaurante da Jandira Feghali (https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/jandira-reclama-que-crise-a-obrigou-a-fechar-restaurante-quem-mandou-apoiar-dilma-rousseff/)

Joselito Müller – Estou sem apetite, valeu.

Lula – Tem também uns bolinhos da Maria do Rosário…

Joselito Müller – Esse eu faço questão de provar.

Lula – São de uma receita que ela pegou no Catraca Livre (https://www.oantagonista.com/internet/nova-dieta-da-esquerda/

(quase me engasguei ao ouvir tal informação e achei melhor começar logo a entrevista).

Joselito Müller – Lula, é verdade que os novatos na cadeia são obrigados a pegar o sabonete quando caem na hora do banho?

Lula – Isso é verdade, mas entre os presos comuns, como era o caso do “Menino do MEP”(https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/o-ex-menino-do-mep-fala-de-novo-e-de-novo-nem-sim-nem-nao/). Comigo não teve disso, porque eu já tinha outras passagens pela polícia e cheguei com status de veterano (risos).

Joselito Müller – O senhor saiu da presidência com a maior popularidade da história. Se arrepende de ter indicado Dilma como sucessora?

Lula – Olha, eu já conhecia muito bem a Dilma e pretendia, ao indicar ela, que ela fosse interditada pelos psiquiatras, para eu dizer que era perseguição política e me eleger de novo. O plano deu errado, porque ninguém teve coragem de internar ela num hospício e ainda acabaram reelegendo ela. Para meu azar, o Cunha fez aquela sacanagem de aceitar o pedido de Impeachment e o resto da história todo mundo sabe…

Joselito Müller – E agora com Haddad, como vai ser?

Lula – O Haddad é boa pessoa, embora seja meio tapado, então acredito que, se eleito, pode fazer um bom governo. Meu medo é que ele já foi denunciado na justiça recentemente e quando ele for preso, quem assume é aquela menina lá, como é mesmo o nome dela?…

Joselito Müller – Manuela Dávila.

Lula – Como?

Joselito Müller – Manuela Dávila.

Lula – Isso mesmo, a Manuela. Quando ele for preso, ela que assume. Aí vai ser o filme “Dilma três – a revanche”(risos)

Joselito Müller – Alguns dirigentes do PT, após presos, foram soltos e estão nas ruas. O senhor acha que está sofrendo uma injustiça?

Lula – Olha, eu fiquei feliz quando o Dirceu foi solto, mas nem sempre ser solto é algo bom. Vê o caso do Paulo Bernardo, por exemplo (marido da senadora Gleisi Hoffmann). O cara tinha dado graças a Deus por ter sido preso para não ter que aguentar aquela mulher enchendo o saco, mas a justiça, só por crueldade, mandou ele ficar solto. Ele entrou com um pedido para voltar a ser preso, mas foi negado e ele tá tendo que conviver com a Gleisi todo dia. É sacanagem…

 

A entrevista não pode prosseguir, porque o carcereiro informou que nosso tempo havia acabado. Agradeci ao entrevistado, que me fez um último pedido: “Se avistar o Haddad por aí, lembra pra ele trazer meu cigarro”.

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