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Re-União 2017

A origem de nossos problemas

October 24, 2018

Ainda que hoje culpemos Lula e o PT por uma parte considerável de toda a corrosão política, moral e social que acometeu o Brasil nos anos recentes, a verdade é que todos estes problemas são apenas a parte visível do estrago que tem sido duramente infligido ao Brasil desde a redemocratização. Eles são – por assim dizer –, a ponta do iceberg, a parte palpável de uma cruel e áspera organização criminosa, com origens discretas e obscuras, porém não menos intrincadas e sinistras. E um dos pilares da insidiosa trama na qual o Brasil se viu envolvido desde o retorno dos governos civis está nas ações iníquas e insólitas de um único homem, Fernando Henrique Cardoso, presidente do Brasil de 1995 a 2003.

 

Durante muito tempo, a população se deixou enganar pela falsa oposição entre PT e PSDB, uma dicotomia puramente artificial, sendo completamente obtusa para o fato de que ambos são partidos de esquerda. A diferença, no entanto, é que enquanto o PT é um partido de extrema-esquerda radical, o PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira – é um partido de viés mais moderado. Não defende a implantação do socialismo por vias agressivas e radicais, mas através da implementação de políticas gradualistas.

 

Quando se tornou presidente, em 1995, FHC começou a preparar o governo para a eventual gestão do PT, “aplainando o terreno”, por assim dizer. Primeiro, amaciou o fértil território político brasileiro com o socialismo fabiano, para este estar pronto, quando o PT tomasse conta, e administrasse doses mais agressivas e cavalares de socialismo radical. Mas a atuação de FHC é longa, e está intimamente associada com a história do socialismo no Brasil, confundindo-se com esta. FHC passou a ser de grande relevância para o Foro de São Paulo – sobretudo para as estratégias que seriam aplicadas – e começou a articulação com as demais lideranças políticas da América Latina, com o objetivo de fortalecer a esquerda no continente.   

 

Mas como FHC conseguiu enganar tanta gente? 

 

FHC sempre foi um indivíduo dissimulado e ardiloso. Nunca pareceu um socialista. Sempre de terno e gravata, com seus inúmeros diplomas, suas graduações em universidades distintas, livros publicados, que, entre outras coisas, mostravam suas inclinações políticas, como "Mudanças sociais na América Latina", "A construção da democracia: estudos sobre política" e "Por um Brasil mais justo: ação social do governo", FHC sempre foi hábil em parecer inofensivo – um acadêmico altamente civilizado e respeitável –, muito distante do militante inquieto, impulsivo, baderneiro e indisciplinado normalmente associado à esquerda. Mas negligenciar a existência de uma esquerda culta e erudita, maléfica e ardilosa, que age nas sombras, sempre foi um erro muito comum entre nós; não apenas aqui no Brasil, mas em toda a América Latina.

 

O que muitos não entenderam sobre FHC é que ele é o típico intelectual orgânico, como o notório Saul Alinsky – de quem, aliás, FHC declarou-se discípulo, em determinada ocasião –, um indivíduo que sabe como expandir sua base de poder e influência através de um laborioso processo político, jurídico e logístico, que envolve a consolidação de um ambiente de amplas e variadas conexões políticas, que reúne partidos, indivíduos e agentes que lutam pelos mesmos objetivos.

 

O comprometimento de FHC com a consolidação da hegemonia de um ambiente político completamente socialista na América Latina sempre foi absoluto, e ele nunca hesitou em demonstrar isso, para quem quisesse ver. Quando os venezuelanos conseguiram depor o ditador socialista Hugo Chávez através de uma intervenção militar em 2002, FHC imediatamente começou a articular o seu retorno, usando toda a redundante, porém magistral retórica ardilosa de sua então vasta e consistente influência política, para restaurar Chávez no poder, obtendo êxito em seu intento, para infortúnio dos venezuelanos, que hoje poderiam ser livres. No entanto, graças à intervenção de FHC para resolver uma crise que não lhe dizia respeito, uma resolução covarde tomada contra o povo venezuelano selou o seu destino de uma forma cruel e nefasta, tornando-os escravos de uma brutal e agressiva ditadura socialista, que só Deus sabe quando serão capazes de desmantelar. 

 

Tudo porque FHC, cumprindo uma resolução do Foro de São Paulo que lhe era ideologicamente inerente, pretendia manter toda a América Latina nas mãos da esquerda. Portanto, ele não poderia permitir que o povo venezuelano se tornasse senhor do seu próprio destino. Daí a sua intervenção política ter sido crucial para manter Chávez no poder, e manter intactas as premissas do Foro de São Paulo. A introdução das urnas eletrônicas foi igualmente concebida por FHC com o maléfico propósito de manter a esquerda no poder. 

 

FHC nunca escondeu sua predileção pelo socialismo, sua associação com dirigentes do Partido Comunista desde a juventude, suas expressivas inclinações fabianistas. Elas sempre estiveram lá, para quem quisesse ver. Mas seu jeito calmo, sua retórica culta, seu modo civilizado de se expressar, sua cautela e astúcia, enganaram a grande maioria dos brasileiros, que nunca nem sequer suspeitaram que FHC pudesse ser o arquiteto por trás do grande plano diabólico de consolidação absoluta da hegemonia da esquerda política no continente. Seus cabelos brancos, sua imagem de bom velhinho, sua eloquência proverbial, sua disposição articulada, ocultaram com êxito quem ele é de verdade, bem como seus reais objetivos políticos. 

 

O que os brasileiros nunca conseguiram perceber é que a esquerda tosca e burra – Lula e o PT – eram apenas um chamariz, um rústico e pernicioso placebo, uma distração conveniente que manteria todos ocupados, enquanto a esquerda orgânica e inteligente, no silêncio dissoluto das sombras, ficava livre para fazer com diligente eficiência todo o trabalho sujo. De fato, foi exatamente isso o que aconteceu. Lula e o PT sempre foram um sintoma, um gravíssimo sintoma, é verdade, mas nunca foram a causa do problema. 

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