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Re-União 2017

Calma,o jogo segue

October 25, 2018

 

Se há um lugar do Brasil em que Fernando Haddad NÃO vai vencer a eleição é na CIDADE DE SÃO PAULO, de onde ele foi praticamente EXPULSO em 2016:

Perdeu em TODOS os 58 distritos eleitorais, desde a Avenida Paulista, até a zona rural.

Em uma cidade em que as eleições são tradicionalmente muito disputadas, nunca antes se vira um governante ser rejeitado de forma tão categórica: foi um massacre.

 

Dos mais de 9 milhões de eleitores da cidade, 967.190 (pouco mais de 10%) votaram pela reeleição de Haddad; foram apenas 16,7% dos votos válidos.

No 1º turno na eleição presidencial, ele recebeu 1.253.162 votos (19,7% dos votos válidos), contra 2.835.930 de Bolsonaro (44,58%).

 

A informação, fartamente estampada em manchetes durante todo o dia, de que houve uma INACREDITÁVEL virada em pouco mais de 2 semanas (Haddad estaria com 51% dos votos na capital), é absurda.

Consultando-se a íntegra da pesquisa Ibope no ESTADO de São Paulo (como parte da pesquisa nacional), incluindo também a pesquisa para governo do estado (e outras consultas relacionadas, como o possível impacto de mensagens de WhatsApp na decisão do voto), realizada entre 20 e 23 de Outubro, em 78 municípios, é possível entender parcialmente:

das 1.512 entrevistas (para um universo de mais de 33 milhões de eleitores), 413 foram realizadas na capital; 784, no interior; e 315, na "periferia":

mas não há explicação sobre a que "periferia" o instituto se refere; não se sabe se é à periferia da cidade (bairros periféricos, distantes do centro) ou aos outros 38 municípios que integram a Região Metropolitana de São Paulo.

 

Os números totais são:

-Interior: Bolsonaro, 63 x Haddad, 25 (com 9% de brancos e nulos, mais 2% de indecisos);

-Periferia: Bolsonaro, 53 x Haddad, 30 (com 11% de brancos e nulos, mais 5% de indecisos);

-Capital: Bolsonaro, 40 x Haddad, 41 (com15% de brancos e nulos, mais 4% de indecisos).

 

Editorias de todos os jornais pegaram apenas esse último recorte ("capital", 413 entrevistas), não questionaram a inclusão do campo "periferia", traduziram para "votos válidos" (excluindo brancos, nulos e indecisos), deram uma arredondada para cima, chegaram ao número mágico:

Haddad  51% e não tiveram dúvidas:

Tacaram nas manchetes, sugerindo uma impressionante reação do candidato do PT, justamente na cidade que mais motivos tem para não elegê-lo.

 

Alguns ainda tentaram relacionar a surpreendente "queda" de Bolsonaro (que estaria recebendo menos votos do que teve no primeiro turno) ao apoio de João Doria (que lidera no estado, mas perde na capital), o que não faz qualquer sentido.

Intencionalmente ou não, pode ter havido uma distorção simples no campo "capital": conhecendo-se a cidade, é facílimo saber onde encontrar 413 pessoas com maior probabilidade de declarar voto em Fernando Haddad, sem ferir os demais parâmetros (idade, escolaridade, sexo, renda):

-O entorno da USP, a região da Praça Roosevelt e a Vila Madalena, seriam minhas apostas, caso quisesse encontrar tal resultado.

E foram essas 413 almas, representando mais de 9 milhões de eleitores, que pautaram grande parte dos noticiários e alegraram a militância petista.

 

É provável que a intenção da parte dos jornalistas, responsáveis por pinçar esse pedacinho da pesquisa e transformá-lo em fato midiático, tenha sido apenas essa mesmo: aplicar um desfibrilador na moribunda campanha de Haddad.

Prefiro não pensar em nada além disso.

 

No mais, os números que realmente interessam, considerando todo o Estado de São Paulo, são:

-Bolsonaro, 54 x Haddad, 31 (com 11% de brancos e nulos, mais 3% de indecisos); ou, em votos válidos: 64 x 36.

 

Ou seja: não aconteceu nada, segue o jogo.

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