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Re-União 2017

O mau jornalismo é indefensável

October 31, 2018

 

 

 

 

Só hoje – 31-10 - encontrei tempo para reler a matéria da Folha de São Paulo, publicada a duas semanas das eleições de segundo turno, com a “denúncia” de que empresários ligados a Jair Bolsonaro bancaram campanha contra o PT pelo WhatsApp.

Não, o assunto não morreu...pelo que se percebe, a reportagem encheu de indignação o presidente eleito, tanto que se referiu a ela em quase todas as entrevistas que tem dado a emissoras de TV aberta após a vitória e prometeu deixar o jornal de fora da publicidade oficial em seu governo.

A reação de Bolsonaro despertou uma corrente de simpatizantes do jornal que prometem compensá-lo via compra de assinaturas.

Enquanto isso, a autora da reportagem, a jornalista Patrícia Campos Melo, queixa-se de que tem recebido ataques virulentos de bolsonaristas pela web...

RELEITURA
A releitura da matéria me encheu de curiosidade. Conheço Patrícia de Campos Melo, que é minha amiga de facebook. Diria até que sou admirador de seu trabalho – repórter atilada, experiente em coberturas internacionais e bom texto...ignoro suas preferências políticas, se é que as tem...

Desse modo, penso que ela deve ter percebido que seu texto não estava pronto para ser publicado. Há no texto impressões digitais de um amadorismo que, tenho certeza, não é dela.

Antes mesmo de chegar à metade do texto, ela mesma começa a negar a tese que a manchete tenta sustentar. E é inimaginável que uma profissional com sua experiência ouse publicar uma matéria sobre a assinatura de contratos sem nenhuma prova material de que estes foram realmente firmados.

NAS REDES SOCIAIS
Além disso, Patrícia é usuária das redes sociais, sendo impossível que ela nunca tenha percebido a carga de voluntarismo ampla, geral e irrestrita que acompanhou a candidatura do presidente eleito durante toda a campanha e que se expandiu vigorosamente após o triste episódio de Juiz de Fora. Só pelo facebook, ao se aproximar do segundo turno, Bolsonaro contava com nada menos de 9 milhões de seguidores.

Bolsonaro não tinha, portanto, a menor necessidade de contratar disparos contra o adversário! Por que cometer uma ilegalidade se tem de graça o artigo da compra?

Tudo, enfim, conspirou contra a tese da reportagem. Se eu bem entendo do clima que contamina uma redação nesses dias de alta sensibilidade, a solerte repórter foi coagida a entregar uma obra de todo inacabada.

UMA VÍTIMA
Um furacão de nível máximo ataca a mídia impressa no mundo inteiro e obriga os jornais e revistas de atualidade a se reinventar. No Brasil, pelo que percebo, dos grandes jornais, apenas um dá sinais de que vai ressurgir em nova proposta inovadora. Chama-se O Estado de São Paulo, que já foi obrigado a fechar seu irmão mais novo, o inesquecível Jornal da Tarde.

Todos os demais, inclusive a Folha de São Paulo, encontram-se em queda livre e já há algum tempo, na busca desesperada de sobrevida, vendem a sua dignidade aos corruptores de plantão.

O Instituto de Pesquisa da Folha de S. Paulo, o DataFolha, passou vários anos na sustentação da última grande farsa petista: de que seu líder supremo, o presidiário Luiz Inácio, venceria fácil uma eleição a presidente.

Ainda no primeiro turno destas eleições, a farsa foi derrubada: viu-se que a propalada “liderança absoluta” de Luiz Inácio não passava de 29% das preferências do eleitor. E, no segundo turno, o candidato indicado por ele, Fernandinho Beira Haddad, só rompeu a barreira dos 29%, quando se afastou das cores do partido e de seu grande líder.

É uma pena, mas sou obrigado a admitir que não pode haver espaço para mau jornalismo na democracia! Já não nos bastam os fakenews e os malditos algoritmos das redes sociais?

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