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Re-União 2017

Por um novo ambientalismo

November 3, 2018

 

“Erradíssimo, trágico, equívoco, engano, um caminho sem volta...” Quem vê as críticas – pesadas ! – que os velhos e novos opositores disparam contra Jair Bolsonaro por anunciar sua intenção (aparentemente, já sepultada) de fundir os ministérios da Agricultura e Meio-Ambiente vai achar que o Brasil possui uma política ambiental próxima da perfeição.

Só que não ! A política ambiental brasileira – usando um adjetivo até suave – é grotesca !

Não deve existir outro termo para definir esse já antigo jogo de faz-de-conta onde uma legislação faz-de-conta que protege, mas só trava a economia ao invés de proteger; um dispendioso aparato de fiscalização faz-de-conta que fiscaliza e deixa acontecer, em Mariana (MG), o maior desastre ambiental da história do Brasil, uma síntese perfeita do ambientalismo de araque a que este país é submetido.

FOI EM 2015
Ocorrido em 05 de novembro de 2015, o desastre de Mariana escancarou todas as facetas da nossa tragédia ambiental:

1)- Meses antes do estouro da barragem do Fundão (resíduos da mineração de ferro que a Samarco, empresa que resultou da sociedade entre a Vale do Rio Doce e a australiana BHP-Billinton) relatórios técnicos de organismos ambientais demonstravam que o depósito deveria ser interditado urgentemente porque a sua capacidade estava esgotada e havia o risco de rompimento.

2)- Assim que o derrame ocorreu, a Câmara Federal e as duas Assembleias Legislativas dos estados atingidos (MG e ES) formaram comissões interpartidárias para investigar as causas do desastre. Descobriu-se em seguida que 80% de todos os deputados, inclusive os do PV, que formaram essas comissões haviam recebido somas generosas da Vale do Rio Doce “para ajudar na campanha”.

3)- O desastre de Mariana chama a atenção do Brasil para a inoperância dos organismos ambientais federais, como o IBAMA, que nem fiscaliza e não pune e se pune não recebe pelas multas que aplica. Os jornais da época noticiaram que o Ibama só recebia 8,7% das multas que aplicava.

4)- A tragédia de Mariana escancarou também a omissão de entidades ambientais como o Greenpeace ou a SOS Mata Atântica; enquanto a primeira manteve-se distante dos problemas, a segunda esteve por lá para medir a turbidez do Rio Doce. Sou sócio-fundador da SOS Mata Atlântica e hoje, desolado, vejo que a entidade transformou-se num projeto acéfalo preocupado em medir a turbidez de rios sabidamente poluídos ou em ensinar as pessoas a fazer xixi enquanto tomam banho.

MUITA DESOLAÇÃO
O cenário, no geral, é desolador. E como pano de fundo de todas as nossas tragédias ambientais, tanto daquelas que já aconteceram, como daquelas que ainda poderão acontecer, está a péssima qualidade da nossa classe política, incapaz até agora de reorientar o ambientalismo.

Vejam o caso de Marina Silva, que sequer esteve em Mariana; foi uma das primeiras a se manifestar contra a fusão. Ela disse:

- Estamos inaugurando o tempo trágico da proteção ambiental igual a nada. Nem bem começou o governo Bolsonaro e o retrocesso anunciado é incalculável...

Ainda bem que sua voz foi abafada nas catacumbas em que sabiamente o eleitor a colocou neste histórico pleito de 2018.

O AGRONEGÓCIO AVANÇOU
O agronegócio, por sua vez, foi o único segmento da economia que avançou em meio ambiente, o que tem sido demonstrado em vários artigos do geógrafo da Embrapa, Evaristo Miranda.

E por que avançou ?

Simples: porque aprendeu na carne e no bolso que toda agressão praticada contra o meio-ambiente volta-se contra quem a praticou sempre de modo dramático !

E o bate-cabeça e o faz-de-conta prosseguem em quase todos os demais segmentos. Não poderia faltar, é claro, mais uma contribuição do socialismo corrupto.

O jornalista Fernando Gabeira já se referiu a isso em recente artigo: como as Ongs sempre dependeram de verbas oficiais, o ambientalismo foi inoculado pelo viés ideológico petista...

BOLSONARO PREOCUPADO
Antes e após a eleição, Jair Bolsonaro tem se referido ao quanto as leis ambientais, seja por inadequação, seja por viés ideológico, têm perturbado a economia: “Vejam o caso da psicultura...ela pode trazer um ganho adicional extraordinário aos pequenos produtores rurais...aí o cara quer fazer um tanque pra criar peixe em sua propriedade e vem o licenciamento ambiental e diz: não pode !“- disse Bolsonaro em recente entrevista ao SBT.

Pelo que me parece, a única pessoa a fazer uma crítica pertinente à ideia da fusão foi a modelo Gisele Bunchen. Ela disse:
- Fragilizar a autoridade representada pelo Ministério do Meio Ambiente, no momento em que as preocupações com as ameaças da mudança climática e do desmatamento se intensificam, pode ser desastroso e um caminho sem volta.

Eis o ponto sensível que muito provavelmente levou o presidente eleito a refletir melhor sobre o assunto.

Tanto quanto posso sugerir a ele, penso que deveria dar início ao governo de transição e encomendar, imediatamente, à chancelaria uma sondagem para ver como os mais importantes países das relações comerciais do Brasil reagiriam à fusão.

De qualquer modo, imagino que ele tenha uma equação nada fácil a resolver: como tirar, também do ambientalismo, o viés ideológico que há muito tempo faz do conservacionismo uma causa de bandeira vermelha...

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