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Re-União 2017

O fenômeno shutdown

November 5, 2018

 

Dizem que a polarização do país é um problema. Discordo.

A polarização é saudável, demonstra que há liberdade de pensamento, expressão e opinião, quebra a ditadura do discurso único e possibilita às pessoas consumirem o material da ideologia que mais lhes interessar.

 

A polarização revela honestidade política. As pessoas assumem seus lados e ninguém finge ser o que não é, sentem-se livres para discordar e não precisam fingir uma neutralidade puramente abstrata.

 
Dito isso, preocupante, para mim, é outro fenômeno bastante desonesto, que vou chamar aqui de "shutdown" das opiniões contrárias, fenômeno este que se manifesta em diversas frentes.


Vamos à conceituação: o shutdown consiste em: excluir/omitir/deslegitimar por completo as outras correntes de pensamento e opiniões, cedendo espaço para a existência de apenas uma opinião, pensamento ou versão dos fatos, prejudicando a emissão de juízo de valor ou até mesmo o atingimento da verdade. Sua finalidade é a de corromper a verdade. 
É excluído quando a versão divergente vem a ser ignorada, como se não existisse, embora a referida versão se manifeste por outros meios mas fica condenada ao soterramento. É o que a mídia mainstream faz. 
É omitido quando a versão divergente, embora tenha adquirido algum espaço, vem a ser deliberadamente ocultada em uma versão parcial dos fatos. É o caso de mídia declaradamente parcial.
É deslegitimado quando a versão divergente sofre ataques não-argumentativos, mas sim pessoais quanto à natureza dos que divulgam a versão. É como querer dizer que Bolsonaro foi eleito graças às fake news e que seus eleitores são nazistas. 

Como se vê, o shutdown pode aparecer em qualquer lugar.

Mas o que mais me preocupa é quando o shutdown é manifestado pela mídia mainstream e pelos técnicos de diversas áreas. 


A questão da mídia mainstream foi exposta acima.

 

Vamos analisar agora o comportamento dos técnicos. 
Pegue, por exemplo, os profissionais das carreiras jurídicas. Eles vão à imprensa dizendo, em tom de verdade insofismável, que algo é ilegal, inconstitucional, juridicamente impossível; quando, na verdade, existem outras pessoas com a mesma qualificação técnica dizendo o contrário.

A mídia mainstream dará espaço aos primeiros, não aos segundos, ocorrendo o shutdown em relação a estes e a verdade sendo emanada em relação àqueles.


Isso, por si só, já é desonesto e preocupante, mas o problema vai além. Estes técnicos aos quais é atribuída a verdade promovem palestras, ministram cursos (pagos) e lideram institutos cuja posição ideológica não é neutra e, apesar disso, tratam como se assim fosse. O técnico destinatário das aulas e palestras crê estar recebendo uma qualificação essencialmente técnica (imparcial), quando na verdade é ideológica, (e, em última análise, sem valor técnico). Ao exercê-la, passa a disseminar o discurso ideológico que recebeu, como se fosse técnico e imparcial.

 
É o que vi acontecer em vários seminários e congressos voltados à área jurídica em relação às tais das "Fake news", antes mesmo das eleições, tendo organizadores 100% de esquerda, apresentando seus pontos de vista de esquerda, e, no entanto, sem jamais fazer essa ressalva.

Hoje, os mesmos institutos e ditos "técnicos" encontram espaço na mídia mainstream para deslegitimar o resultado das eleições, como se fossem agentes neutros, o que é uma fraude intelectual.

 
Temos que estar atentos a esse fenômeno e desmascará-lo sempre que possível de modo a evitar o comprometimento da verdade e a manipulação da opinião pública. O shutdown é uma forma de silenciamento e, como tal, uma agressão à liberdade. É instrumento de uma agenda autoritária que vem sendo intelectualmente implementada e, pelo bem da história que está sendo escrita, precisa ser parada.

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