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Re-União 2017

O otimismo e o campo minado

November 7, 2018

 

Desde o final do segundo turno destas últimas eleições, temos notado uma onda crescente de otimismo: são ministros sendo escolhidos dentre os mais competentes de cada área, são anúncios de políticas que finalmente se voltam às causas dos problemas, é o desmoronamento do edifício retórico esquerdista em que a vontade popular esteve aprisionada por seis décadas, com o consequente e patético desespero de seus carcereiros, é o desalinhamento diplomático com países párias e sanguessugas, e o alinhamento com Estados democráticos de direitos, o entusiasmo do mercado, com anúncios de investimentos bilionários, valorização da moeda e subida das bolsas, enfim, muitas boas notícias, coisa que duas gerações de brasileiros se desacostumaram a ver.

 

Este otimismo é bom, é natural e é importante para dar ao novo governo uma base de apoio popular de que ele necessitará, e muito, mas  às esperanças de que o país superará, finalmente, sua infância tutelada deve necessariamente corresponder a responsabilidade de saber que um povo adulto é protagonista de suas escolhas.

 

Bolsonaro não tem condições de realizar todas as nossas expectativas de superação da pobreza, do analfabetismo, da ignorância, da corrupção política, intelectual e moral. Ele e os integrantes de seu governo são uma tropa que avança em campo minado: ou o progresso será lento o bastante para que se desarmem as bombas escondidas nas instituições aparelhadas, ou elas explodirão, levando consigo membros preciosos desta equipe. Só por um milagre será possível desmontar em quatro anos a estrutura que a esquerda levou 60 planejando e 30 montando em cada instância do Estado e da sociedade, quando nem quadros livres da peçonha esquerdista há em número bastante.

 

Este não é o fim de uma guerra, não é o rescaldo, é só o começo.

 

As hostilidades, as calúnias, as chicanas, a violência que vimos até aqui não arrefecerão, mas vão piorar na medida em que o risco de punição por crimes e malversações de agentes públicos aumentar e ameaçar o ganha-pão de dezenas de milhares de chupins nas escolas, nas universidades, nas ONGs, nos sindicatos, nos órgãos e empresas públicas, nas autarquias, nos púlpitos, na mídia, no meio artístico e em cada cantinho onde o critério da afinidade política se sobrepõs ao talento, à competência e à capacidade, fazendo vigir a lei do QI, não na acepção da capacidade de interligir, bem entendido. Caberá ao povo brasileiro, se já deixou para trás aquela infância, chamar para si a responsabilidade de lutar esta peleja, ou de não reclamar que Bolsonaro a perca, pois ele, por melhor que seja, não é nós, e o problema é com a gente!

 

Que o povo que clamou a Deus por livramento, e foi ouvido, não esmoreça diante das inevitáveis falhas do novo governo, da superexposição destas pela mídia, das sabotagens que virão de dentro e de fora, da gritaria e das calúnias; que não se acovarde, se acomode nem murmure; que não seja como aquele povo que, liberto da servidão, pôs-se a suspirar pelas cebolas do cativeiro, pois mesmo diante do mar aberto e de todos os cuidados com que Deus o cercou, achou por demais pesada a responsabilidade de ser livre.

Pois se uma geração, ainda que liberta, mantiver a alma de escravo, seu destino será perecer no deserto. A liberdade é um bem caro demais pra ser usufruída por quem não luta por ela.

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