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Re-União 2017

São Paulo está abandonada

November 19, 2018

 

30 anos depois da promulgação da dita "constituição cidadã", bens públicos da maior metrópole do País começam, literalmente, a cair aos pedaços. 

À primeira vista poderíamos dizer que se trata de um problema de engenharia pura e simplesmente. No entanto, levando em consideração o total escamoteamento de todos os serviços públicos, a referida conclusão seria, no mínimo, equivocada.

A relação entre o estado de conservação de bens públicos - não apenas na cidade mais rica, como em todo o País - e a qualidade/existência dos serviços públicos não é obra do acaso e muito menos uma infeliz coincidência. 

Basta sair pela cidade que você verá um estado de penúria generalizada: asfalto ondulado, rachado, esburacado; prédios públicos mofados e com rachaduras, viadutos trincados, com fendas e desabando, serviços públicos morosos e prestados com a pior qualidade possível. 

A primeira conclusão à qual chegaremos a partir dessa análise visual é a de que o dinheiro para a conservação de tais bens ou fornecimento de tais serviços não está chegando onde deveria. E não é por falta de dinheiro, já que o país chegou na casa dos trilhões de reais em impostos arrecadados.

Dito isso, estamos diante de um fenômeno curioso, pelo qual uma torneira jorra dinheiro sem fim e, apesar disso, tudo fica exposto ao abandono.

Sabemos, graças à Lava Jato, que os meandros da corrupção são longos e volumosos, uma fenda de interminável vazamento de dinheiro do pagador de impostos, maior até mesmo que aquela que derrubou um viaduto em São Paulo.

Mas não é a única razão para tanta penúria. 
Se analisarmos detidamente o papel do Estado nesses últimos 30 anos - evidentemente, papel este atribuído pela "constituição cidadã" - notaremos que estamos vivendo em um sobrado germinado prestes a cair, e, no entanto, querendo manter uma BMW 0km na garagem. 

Muita gente não tem coragem de admitir, mas está na hora de apontar uns dedos aos responsáveis por tal situação, e, dentre eles, está a nossa Constituição.

É ela quem banca o papel do pródigo que, incapaz de gerir o próprio patrimônio, esbanja em perfumarias - problemas de primeiro mundo - antes de resolver o básico e o essencial.

Isso porque trata-se de um espelho da classe política extremamente onerosa que a promulgou : uma horda de senhores irresponsáveis que fecham os olhos à realidade e à própria matemática para vender um discurso eleitoreiro digno de País das Maravilhas. Como o papel aceita tudo, a conta não fecha.

E chegou a vez de a realidade cobrar seu preço.

Você pode até achar que estou errada, mas, por favor, saia de casa e observe o mundo à sua volta: verá que está tudo exposto ao abandono, já que os recursos, apesar da ordem dos trilhões, tornaram-se escassos, insuficientes ante à infinita demanda de participação do Estado que a Constituição criou.

 

O papel pode até aceitar tantas obrigações, mas a realidade, não.

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