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Re-União 2017

A panela de pressão começa a funcionar

November 22, 2018

Todo mundo sabe que em um sistema governamental moderno – especialmente um como o nosso, o presidencialismo de coalizão – é impossível governar de forma autocrática, sem fazer concessões.

 

Eventualmente, a panela de pressão começa a funcionar, e aí é hora de ver quem cede, quem faz e o que é, de fato, colocado em prática. 

 

Bolsonaro não começou a governar ainda, mas a panela de pressão já está em atividade. Bastante alinhado com as posições políticas do presidente americano Donald Trump, Bolsonaro recentemente levantou a hipótese de mudar a embaixada brasileira em Israel – atualmente sediada em Tel Aviv – para Jerusalém, uma mudança radical realizada pelos Estados Unidos em maio deste ano. Bolsonaro, que pretendia realizar a mesma mudança, até para mostrar o novo realinhamento do país com as políticas americanas, mudou de ideia, de acordo com declaração do embaixador Ernesto Araújo. 

 

A temeridade, no entanto, ocorre em virtude de possíveis consequências nefastas no plano econômico, caso o Brasil acabe isolado pelos países árabes como um pária internacional, e as exportações acabem sendo prejudicadas. O presidente eleito nem foi empossado ainda, e já tem que lidar com a diplomacia e os malabarismos da governabilidade. 

 

Evidentemente, em algumas questões, é necessário se mostrar irredutível, como Bolsonaro tem sido – até o momento – com o programa Mais Médicos, por exemplo, que alegou submeter os médicos cubanos a condições análogas à escravidão. Bolsonaro fez nova proposta ao governo cubano. O presidente eleito quer que os médicos cubanos recebam salário integral, e que seus familiares possam residir junto com eles no Brasil. Algo que, convenhamos, nem é questão de humanitarismo, apenas, mas de sensatez, razoabilidade e decência. A ditadura da ilha-presídio, evidentemente, rejeitou a proposta. O programa Mais Médicos é simplesmente um grande e lucrativo negócio para o tirânico governo cubano.   

 

Bolsonaro não escapará à críticas por seu alinhamento com os Estados Unidos, e mais precisamente, com a ortodoxia do governo Donald Trump.

O próprio Trump, desde o início de seu mandato, tem estado constantemente sob os ataques da imprensa vermelha, sempre cinicamente disfarçada de mídia tradicional e imparcial. No entanto, com o sucesso de suas políticas, como drástica redução do desemprego – a maior em cinco décadas – e a retirada dos Estados Unidos de acordos que não os beneficiavam, antes o contrário, serviam apenas aos interesses da agenda globalista internacional, Donald Trump está surfando na crista da onda, aproveitando os seus êxitos, e zombando de seus inimigos, que apostavam alto no seu fracasso. Que, até agora, não aconteceu, e provavelmente nem vai.

 

No entanto, governos de direita não são eternos. Donald Trump agora – e Bolsonaro mais tarde, se tudo der certo – terão de alinhar suas reeleições ou governos de sucessão. A esquerda sempre estará aí para sentar-se no trono presidencial de novo. Nada impede, por exemplo, que depois do mandato de Trump, um novo presidente de esquerda assuma nos Estados Unidos; um tão nefasto quanto, ou até pior, que o seu temerário antecessor, Barack Obama. De pouco adianta arrumar um país corroído em todas as suas fundações, alicerces e estruturas por sucessivos governos de esquerda, para, depois de um ou dois mandatos de direita, a esquerda assumir novamente e estragar tudo de novo. Isto vale especialmente para nós, brasileiros. Bem sabemos como os sucessivos governos do PT arruinaram completamente o país. A população se uniu, e conseguiu eleger um presidente de direita, para reunir os escombros e destroços, e tentar consertar as coisas. Mas de nada adiantará, se daqui a quatro anos, ou oito, que seja, a esquerda voltar ao poder. 

 

Bolsonaro nem assumiu, mas a panela de pressão já está em atividade.

A tendência é que, quando assumir de fato, piore. E piore muito. Adquirir governabilidade em um sistema político repleto de interesses e vícios – e por sua vez, sem virtudes, para contrabalançar – como o brasileiro, de presidencialismo de coalizão, é uma tarefa que apresenta severas dificuldades. No entanto, devemos lembrar que foram as ásperas engrenagens de sua estrutura fisiológica que corroeram a desgastada gestão governamental petista no segundo mandato de Dilma Rousseff, e permitiram seu impeachment. Agora, é ver como Bolsonaro, ocupando o maior cargo do executivo, lidará com a perniciosa dinâmica deste sistema, que usa a panela de pressão para desintegrar projetos e promover interesses. 

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