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Re-União 2017

Forças Armadas com orçamento ilimitado?

December 5, 2018

Bolsonaro falou neste sábado, dia 1º – dia em que acompanhou a formatura de aspirantes a oficias na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde ele mesmo se formou em 1977 – que não pretende estabelecer um teto de gastos para as forças armadas.

O assunto tem sido debatido com certa frequência com o futuro ministro Paulo Guedes. Como devemos responder a isto?

Esta seria uma medida positiva ou negativa para o Brasil?

 

Evidentemente, como tudo que há no mundo, existem vantagens e desvantagens em uma proposta dessa natureza. Mas vamos aos fatos.

Não há dúvida de que, nos governos petistas, as forças armadas foram brutalmente sucateadas, sendo tratadas com monumental desprezo durante toda a gestão tucano-petista. Foram totalmente escarnecidas e vilipendiadas tanto pela administração federal como pela militância vitimista esquerdista. Inclusive, trouxeram à tona todos os supostos crimes cometidos pelo regime militar, e instauraram inquéritos, que ficaram conhecidos como “Comissão da Verdade” – que não passou de um descarado festival de mentiras –, orquestrado com a intenção de depreciar as forças armadas como instituição. O PT pretendia também reforçar o revisionismo histórico, fazendo uma leitura da realidade que divergia dos fatos: pretendiam mostrar os militares como criminosos, e os militantes comunistas, bem como os ativistas de extrema-esquerda, como “heróis benévolos e humanitários”, que lutavam pela “democracia”.

 

Durante o governo de Dilma Rousseff, os cortes nos orçamentos do exército, da marinha e da aeronáutica foram dramáticos. E Temer não foi menos implacável: em novembro do ano passado, o governo cortou 592 milhões do orçamento do exército brasileiro. Com cortes, cortes e mais cortes, o maior país da América do Sul – e quinto maior país do mundo – vai terminar com uma centena de soldados, que servirão basicamente para escoltar burocratas em viagens oficiais e aparar a grama dos quartéis. 

 

A instituição que salvou o Brasil de tornar-se uma ditadura comunista duas vezes – em 1935 e 1964 –, devemos a eles, portanto, a nossa liberdade, definitivamente merece reconhecimento da população e do governo federal. Bolsonaro, sendo ele próprio um militar, não faz mais do que sua obrigação. O futuro presidente afirmou que as forças armadas são investimento, e não despesa. No entanto, no atual momento de crise, a prioridade do novo governo deve ser cortar gastos, não aumentá-los. A não ser que ele pretenda redirecionar para as forças armadas verbas de algum departamento ou ministério de menor importância. E há muito o que fazer no departamento de cortes. O estado brasileiro está enorme, determinados setores do funcionalismo público usufruem de salários nababescos, e diversos ministérios não possuem serventia alguma. Não obstante, o futuro presidente terá que explicitar melhor suas intenções com relação às forças armadas. O que ele realmente pretende? Ampliar as funções do exército? Aumentar salários? Estar preparado, caso uma conflagração contra a ditadura venezuelana se mostre inevitável? 

 

Sou totalmente a favor de uma intervenção militar na Venezuela.

Nossos vizinhos sul-americanos sofrem na pior ditadura da história da América do Sul. Mas é bem verdade que esta é uma questão muito delicada. Sendo hoje a Venezuela uma colônia da China – com amplo apoio de Pequim e Moscou –, uma intervenção militar composta por uma coalizão entre Estados Unidos, Brasil e possivelmente Colômbia, veria a Venezuela receber apoio de Cuba, China e Rússia. O conflito rapidamente iria escalar para a maior conflagração militar na história recente do continente americano. Uma saída militar para o problema, portanto, parece inviável, o que indica que a ditadura bolivariana pode ficar no poder por um bom tempo. O que se mostra uma perspectiva deprimente para os venezuelanos. 

 

O exército brasileiro merece reconhecimento.

Mas que não perca de vista seu propósito, e quem são seus verdadeiros patrões: são empregados – não de burocratas políticos ou do estado –, mas da população brasileira. Que as forças armadas merecem um tratamento melhor do que o que receberam nas administrações federais anteriores, não há nenhuma dúvida. Mas tudo deve convergir para o interesse maior, que é a segurança, a proteção, o desenvolvimento da nação. E a capacidade das forças armadas de responder de forma independente às ameaças, tanto internas quanto externas. 

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