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Re-União 2017

Venezuelanos devem aprender a comer pneus

December 15, 2018

 

Seria cômico, se não fosse trágico. Absurdamente trágico. Mas no socialismo, é assim mesmo, não existe fundo do poço. Sempre é possível descer ainda mais na escala de precariedade e degradação.

 

Recentemente, a sucursal da Goodyear em Caracas encerrou as atividades, e o governo decidiu estatizar a empresa, para retomar a produtividade. Com demanda insuficiente, a companhia vinha utilizando apenas 20% de sua capacidade operacional. A crise está tão agressiva que os funcionários serão pagos com pneus. Seria hilário, se isso não fosse uma previsível e esperada consequência da decadência e do declínio permanente, que são inerentes ao socialismo. Mas não se preocupe: mesmo com toda essa deplorável catástrofe humanitária acontecendo – com ampla tecnologia para acompanharmos tudo em tempo real –, o que não faltará são idiotas úteis de universidades e agremiações políticas para dizer a você que isso não é o “verdadeiro” socialismo. 

 

O governo venezuelano, como sempre, foi atrás de um bode expiatório para justificar mais essa catástrofe. Para tanto, acusou a administração da Goodyear de boicotar a própria empresa, e pretende processar criminalmente os “responsáveis”. Os verdadeiros responsáveis, no entanto, nós sabemos muito bem quem são: as medidas socialistas que o governo venezuelano continua empregando, e que vem destruindo a economia há quase duas décadas, quando o nefasto bolivarianismo começou a ser aplicado. Desde o princípio, com o governo de Hugo Chávez, que iniciou-se em 1999, até os dias atuais, mais de 120.000 empresas encerraram as atividades ou foram à falência. Diversas regiões de Caracas – que outrora foram vicejantes, prósperas e produtivas áreas comerciais – converteram-se em enormes zonas fantasmas; vazios, lúgubres e deteriorados cemitérios de empresas. Sintomas da degradação absoluta que é inerente ao socialismo. 

 

Aparentemente, com o encerramento das atividades por parte da Goodyear – outras companhias como GM e Pirelli aguentaram menos tempo – a única empresa estrangeira que resta em território venezuelano é a Ford, que recentemente reduziu drasticamente a produtividade. A falta de matéria-prima e a hiperinflação estão entre os problemas que dificultam as operações. O transporte público no país inteiro foi afetado, em decorrência da ausência de peças para a manutenção dos veículos, e falta de pneus. Mas o ditador Nicolás Maduro – jamais colocando a culpa na escassez, na inexistência de recursos ou no socialismo – afirma simplesmente que há uma grande “conspiração” para boicotar o governo, e desestabilizar o país. 

 

Com funcionários sendo pagos com pneus, a Venezuela atinge mais uma etapa na degradação irreversível que é o socialismo. Se o capitalismo fosse implementado amanhã – com um choque brutal de liberalismo econômico – o país levaria muito tempo para se recuperar. No entanto, haveria esperança de, entre cinco e dez anos, começar a se afastar da miséria e da pobreza absoluta, e então contemplar algum modesto e suave sinal de progresso, com muito menos sofreguidão e carestia. Mas sabemos que isso não vai acontecer. O ditatorial governo socialista vai continuar implementando suas implacáveis medidas estatistas, intervencionistas e centralizadoras, o que vai gerar mais desemprego, recessão, inflação e escassez. E portanto, mais miséria. O bem-estar da população não é e nunca foi uma prioridade. O importante é jamais admitir que esta tirania coletivista que é o socialismo não dá certo. É um implacável catalisador de miséria e sofrimento. Maduro, no entanto, vai continuar choramingando, dizendo que seu governo é vítima de “conspirações” e “boicotes”, tudo para não ter que enfrentar a realidade. 

 

Infelizmente, a tendência é piorar. De um país socialista, podemos esperar de tudo. Como Jeffrey Tucker corretamente exemplificou, na Venezuela aplicaram-se com perfeição todos os ingredientes e elementos necessários para se destruir um país: “Qualquer país do planeta é capaz de criar a fome em massa. Tudo o que é necessário fazer é seguir o caminho da Venezuela. Ataque a propriedade privada, persiga os empreendedores e comerciantes, destrua a moeda, extinga o sistema de preços, acabe com o comércio internacional, estatize empresas, mande para a cadeia os seus opositores, e desmantele aquele sistema de liberdade natural que alimenta o mundo. Isso é o socialismo. É o caminho garantido para o inferno na terra."

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