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Re-União 2017

Fascistas de extrema direta ou pessoas comuns?

December 28, 2018

Desde o princípio da crise política, a população brasileira tomou conhecimento da existência de uma esquerda intolerante e autoritária, que estava mais quietinha quando seus políticos de estimação estavam no poder.

 

De lá para cá, qualquer indivíduo, qualquer pessoa que ouse discordar da agenda progressista passou a ser rotulado de “fascista”. Quem passou a desejar mudanças – diante do quadro degradante de corrupção endêmica e sistêmica que se alastrou de forma pujante durante os governos petistas –, tornou-se um alvo da esquerda, e um “fascista”, inimigo da humanidade.

 

Quando a esquerda emprega o termo “fascista”, no entanto, é fundamental entender que os militantes não estão aplicando a expressão em seu sentido original. A esquerda e os progressistas não estão se opondo aos regimes de Benito Mussolini, na Itália, ou de Francisco Franco, na Espanha. Para eles, fascista significa ser xenófobo, racista, preconceituoso, a favor do porte e da posse de armas, e contra políticas de imigração desenfreada. É uma reação deste grupo, especialmente ao que eles percebem como um preconceito enraizado na figura do presidente eleito Jair Bolsonaro, e de seus seguidores. Que sabemos, é claro, tratar-se de uma falácia fabricada e difundida à exaustão pela grande mídia. O que os militantes travestidos de jornalistas sempre fizeram – e ainda fazem – foi pegar trechos de discursos do Bolsonaro, e distorcê-los, esvaziando-os de seu sentido original. A partir da ascensão de Bolsonaro, a ala mais extrema da esquerda radicalizou o seu discurso, rotulando de fascistas quaisquer pessoas que cultivassem crenças ou uma agenda política diferentes daquela difundida pelo progressismo. 

 

A grande maioria das pessoas rotuladas como fascistas, no entanto, não passam de pessoas comuns. Pessoas que se opõem ao quadro clínico de degeneração moral da política nacional, que sofre com os casos de corrupção mais abrasivos e recorrentes de nossa história. Pessoas que se erguem contra políticas claramente fracassadas e malsucedidas – como a do nefasto estatuto do desarmamento –, porque tem todo o direito de se expressar, principalmente em questões onde sentem-se lesadas e prejudicadas. Todas essas ofensas gratuitas deixaram os brasileiros ainda mais ressentidos, o que simplesmente acentuou as divisões. 

 

Como o brilhante cientista político Adriano Gianturco corretamente descreveu, quem elegeu Bolsonaro “foram aqueles que, diante de quase 70 mil assassinatos por ano, importam-se mais em proibir armas de brinquedos para crianças, em desmilitarizar a polícia e colocar lâmpadas de LED nas ruas. Quem elegeu Bolsonaro foi Maria do Rosário, que preferiu xingar de estuprador o deputado em vez de debater sobre a redução da maioridade penal no mérito da questão. Foi a insistência dos grandes veículos de comunicação em perguntar sobre a ditadura militar em lugar de fazer perguntas sobre propostas concretas. Foram os ataques no Roda Viva, foram os jornalistas que preferiram “lacrar” a fazer perguntas, foi a comparação entre Jesus e refugiados.” Eu ainda acrescentaria: aqueles que escrevem e publicam “Vai Maduro” nas redes sociais, enquanto milhares de venezuelanos fogem para o Brasil e para a Colômbia em desespero, buscando refúgio da mais sádica e agressiva tirania que já existiu na história da América do Sul. 

 

A esquerda reclama de Bolsonaro, mas falha em perceber que, na verdade, quem elegeu Bolsonaro foi ela própria. Indiretamente, é claro. A eleição de Bolsonaro é simplesmente uma reação da população brasileira aos excessos, ao autoritarismo, ao despotismo e às mazelas da esquerda, que ficou mais preocupada em defender seus corruptos de estimação, do que os pobres e destituídos trabalhadores brasileiros, prejudicados pela negligência, pela displicência e pela malignidade de uma classe política corrupta, maléfica, depravada, egocêntrica e egoísta. Na conflagração da crise, o brasileiro descobriu quem a esquerda realmente defende. E não são os pobres, os humildes, os vulneráveis trabalhadores brasileiros que ficaram desempregados com a recessão, mas políticos multibilionários, que usufruem dos serviços dos escritórios de advocacia mais caros do país.    

 

A extrema radicalização da esquerda deixou os brasileiros não apenas cheios de ressentimento, mas com uma aversão extrema por tudo aquilo que ela representa. A esquerda, no entanto, ao invés de fazer uma análise crítica e contundente sobre seus erros, prefere xingar e ofender aqueles que enxerga como inimigos, e culpar os outros pelos seus próprios equívocos. Se você é a favor da liberação das armas – e isso é um direito seu, afinal, se você mora no Brasil, então vive no quinto país mais violento do mundo – e fala isso abertamente para militantes de esquerda, vai descobrir que você é um “fascista”, por cultivar o justo e correto direito de proteger a própria vida e a de sua família, e por reconhecer, corretamente, que não pode depender do estado para tudo. 

 

Infelizmente, chegamos em um ponto onde o diálogo é praticamente impossível, já que um lado não suporta o outro. A verdade é que não somos fascistas. Muito pelo contrário. Somos completamente contrários ao fascismo, assim como somos totalmente contrários ao nazismo, ao socialismo e ao comunismo. Ao contrário da esquerda, não fazemos distinção. Consideramos todos os regimes totalitários ruins, igualmente nefastos, desumanos, assassinos e maléficos.  

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