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Re-União 2017

Não estar visível é a tortura do egocêntrico

January 2, 2019

Para pessoas egocêntricas, como Caetano Veloso, ficar calado significa ser invisível. E a invisibilidade é a tortura do egocêntrico. O vídeo que o baiano gravou e divulgou no ocaso de 2018,  é uma peça de humor que diverte a todos que levam a vida a sério.

 

Como uma florzinha da esquerda popular brasileira, o queridinho da gaiola das loucas, o caderno B do Globo, não aceita ficar quieto, imperceptível. Ele poderia, como Dorival Caymmi, passar a vida numa rede em Itapoan sem se preocupar com nada, vivendo só das suas músicas, que, reconheço, são de excelente qualidade. Sua poesia tem estética, ainda que estando muito longe dos pés de Paulo Leminski, por exemplo. Lá, da rede, poderia expressar seu dom musical. E não seria alvo das justas risadas brasileiras.

 

O genial Chico Anysio fazia um quadro chamado "Caretano Zeloso e Zelberto Zéu (Gil)", por sinal, escrito por um dos amigos mais talentosos que tive na vida, Ayres Vinagre. Que, se dependesse de minha autorização não teria nos deixado antes da velhice o alcançar. A dupla nos contemplava com divertidas ejaculações filosóficas dizendo coisas que não saiam do lugar. Pois Caetano resolveu reencarnar o Caretano e nos presenteia humorísticamente, com um esforço hercúleo para se patentear filósofo.

Uns comentários o acusam de estar fora de si, marijuanado em exagero, mas como conheço a peça há muitas décadas, sei que ele não precisa encarnar Bob Marley para falar, falar, falar e não dizer nada. Ainda mais quando o objetivo claro é prestar conta ao stablishment petista que abriu os cofres da Lei Rouanet para ele, sua patroazinha e patotinha.

 

A esquerda popular brasileira sente-se na obrigação de revelar erudição e externar que não são alienados. Mas na realidade, eles se alienam neles mesmos, são presunçosos que nunca passaram algo que prestasse além das músicas (ótimas) que fizeram nos anos sessenta e setenta. Paralelamente, o mais genial de todos, Tom Jobim, nunca perdeu tempo tentando ser mais inteligente e engajado, pois o mundo dele era o Mundo, não somente o Brasil. Tom Jobim tinha Frank Sinatra aos seus pés. Falei em Tom Jobim e devo acrescentar Vinícius de Morais, os dois brasileiros mais geniais das nossas artes. E, coincidentemente, os dois não se preocupavam em extrapolar da arte que faziam.

Não precisavam fazer uso do esquerdismo como instrumento promocional.

 

 

 

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