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Re-União 2017

Expectativa,realidade e verdade

January 3, 2019

 

Expectativas não são infinitas, nem imutáveis. Todas elas possuem prazo de validade e se adaptam às exigências das circunstâncias. São, portanto, elementos indissociáveis da realidade.

Para manipular as expectativas, seria necessário alterar a realidade, o que jamais é possível. A realidade não é sujeita à ação do homem. Ela é uma sequência de fatos que se desdobram de vários eventos interdependentes ou não. A saída, portanto, é distorcer a percepção da realidade a fim de fabricar novas expectativas quanto a essa realidade artificial.

Por exemplo: imagine-se a cidade de São Paulo, que constantemente sofre com alagamentos. A expectativa da população é de que esse problema deixe de existir, que os alagamentos cessem para que as pessoas possam se deslocar sem os transtornos da chuva. No entanto, a realidade é que as chuvas de verão são intensas, que a cidade era toda de rios e córregos e é natural que haja transbordamentos e alagamentos. Em paralelo a essa chuvosa realidade, sabe-se que a cidade é altamente impermeabilizada e que população joga lixo na rua, colaborando para a criação de correntezas e destruição de elementos na superfície. Só que, mesmo antigamente, quando a cidade era cheia de chácaras, fazendas e loteamentos, isso era também um problema frequente, embora não com a mesma dimensão. Enfim, a conclusão à qual se chega é a de que existe uma realidade imutável, que não se sujeita à vontade humana: chove muito no verão, córregos e rios existem e eles transbordam também. O que podemos manipular é o comportamento humano, evitando com que se jogue lixo na rua e nos córregos e reduzindo a impermeabilização da cidade de forma a minorar o problema de enchente. No entanto, a realidade em si permanecerá. Sem prejuízo, vem um pretensioso candidato a prefeito e anuncia que, se eleito, acabará de uma vez por todas com as enchentes. Trará tecnologia, punirá os porcos que não descartam o lixo com responsabilidade, investirá na ampliação de áreas verdes. Ele descarta, por completo, o elemento “abundância de chuvas” da sua campanha, distorcendo o senso da realidade e gerando uma expectativa em cima dessa realidade artificialmente criada.

Feito esse exercício de visualização, podemos entender expectativa “como algo deveria ser” em nossa imaginação. Algo que, como se sabe, nem sempre a realidade acompanha. Isso existe tanto em relação ao indivíduo, quanto em relação ao corpo social como um todo.

Existe o que se chama de “ego idealizado”, que é, na definição do saudoso psiquiatra Paulo Gaudêncio, “um pacote de expectativas” que, no caso do indivíduo, data desde a remota infância. Acima do “ego idealizado”, existe o chamado “superego”, que é, de acordo com o mesmo autor, “o conjunto do ego idealizado e da censura aos impulsos que não correspondem a ele”. O ego idealizado, aliado à censura, forma o superego. Quanto maior o ego idealizado, mais rígido é o superego e o código de valores vinculado a ele, que se torna menos tolerante a “exceções”.

Então aqui temos quatro conceitos: expectativa, realidade, ego e superego. Vamos ver qual a participação desses elementos como um todo na política.

1. Ultimamente, temos notado que a esquerda sequestrou a tolerância em nome da própria... tolerância. Com o auxílio do que se chama de “politicamente correto”, a censura extralegal foi instituída a nível individual, inserindo as pessoas num contexto de falsa realidade, fabricada e manipulada através do pensamento. Com alta intolerância, passaram a reprimir pensamentos em nome da tolerância. Ficou basicamente proibido emitir uma opinião não popular em meio a essa geração que vive de curtidas. Dizer “bandido bom é bandido morto” virou algo pior que palavrão, querer ter uma arma passou a definir o interessado como um genocida.

2. Ao mesmo tempo, tivemos um grande abastecimento de informação - seja pela mídia, seja pelas redes sociais - quanto à corrupção, os corruptos, os corruptores e as consequências. As pessoas aprenderam a somar o passo-a-passo dessa cadeia de eventos e finalmente entender o efeito prático que a corrupção imprime em suas realidades. 

3. As pessoas passaram a sofrer com falta de dinheiro, sobremaneira por falta de emprego, esta oriunda da abundância de entraves para a oferta de postos de trabalho. Quem saía de casa, observava a larga expansão da franquia “aluga-se”. A realidade novamente imprimiu um efeito tangível no íntimo do eleitor.

4. Como se não pudesse piorar, a morte se tornou algo absolutamente comum à existência do brasileiro. “Avise quando chegar”, pois é provável que alguém tente te matar no caminho, “vamos nos falando” para ter certeza de que está tudo bem… a realidade moldou-se às vidas íntimas dos eleitores.

5. Indiferentemente a isso, a esquerda optou por ignorar, como se nem existissem, todos os pensamentos que fossem contrários aos seus. Foi um movimento arrogante, pois tentaram definir o que é bom e o que é ruim, tornando a realidade para a população insuportável.

6. A realidade não se curva ao discurso e nem às expectativas da esquerda. O brasileiro viu-se inserido em um ambiente hostil, de criminalidade, impunidade, indiferença e total falta de sintonia entre a realidade fabricada e as expectativas que nasceram da realidade verdadeira. As alegações já manjadas da esquerda no sentido de que empregos são criados com obras públicas (superfaturadas pelo cartel de empreiteiras em troca de sítios e apartamentos) e para incentivar o consumo; que o bandido deve ser ressocializado; que a economia cresce a empréstimo subsidiado e consumo desenfreado caíram por terra, pois esse discurso tendia a fabricar uma expectativa em cima de uma realidade falsa que já não mais subsiste. É dizer, não houve mais diálogo com a população, a língua falada era outra.

7. Muito pelo contrário, houve repressão ao pensamento diante da percepção da verdadeira realidade. E com isso iniciou-se um processo hipócrita de intolerância, de um lado, com o cidadão acusado de ser intolerante, mas, de outro lado, com a esquerda passando a viver o comportamento que reprimia nos outros. O superego dos outros era continuamente chutado para cima, de tal modo que era impossível segui-lo à risca, gerando frustração e descontentamento, mas o superego da esquerda estava bastante frouxo...

8. Essa hipocrisia fez gerar uma carga de agressividade. A agressividade não é um sentimento ruim: é algo completamente natural, que inunda o organismo de adrenalina e o tira do estado de inanição. Não deve ser exprimida em excesso, mas também não pode faltar, pois quem não a tem, não tem ousadia. A ousadia de confrontar, de questionar. 

9. Jair Bolsonaro foi a pessoa que assumiu o risco. Foi processado, xingado, sofreu todas as consequências de estourar o balão do ego idealizado pela esquerda como forma de controle social. O desafio, a agressividade, a ousadia, tudo isso ganhou formas delineadas, um rosto. Falou aquilo que as pessoas sempre quiseram dizer, mas se sentiam culpadas, ou sabiam que não era aceitável naquela utopia enfiada goela abaixo. Houve uma transmissão de responsabilidades e atitudes, o ônus da ousadia foi concentrado em uma única figura.

10. As redes sociais aproximaram os indivíduos à figura que tomou forma. Agora não era mais apenas um rosto, e sim um novo corpo social totalmente formado. Foi realizada, finalmente, a sintonia fina entre as expectativas da sociedade e a realidade na qual ela está inserida. As expectativas foram percebidas, ouvidas, analisadas, repetidas e aglutinadas em planos que viriam a se traduzir em ações. E as ações transformam a realidade. A sociedade demanda uma alteração da realidade em que vive.

11. Surge o eleitor tímido, como prova do item anterior. Não falou nada, não se expôs, não violou o superego frágil e fabricado pela esquerda. Não ousou. Mas votou no Bolsonaro, que ousou por ele. Há quem não saiba até hoje em quem ele votou. 

12. Alguns chamaram essa corporificação de um ícone representativo, que é o Bolsonaro, de uma unidade só, a “direita”. Outros disseram que essa corporificação era um “culto” ao indivíduo. Não é. É apenas um repasse de expectativas.

Vale lembrar: o mesmo fenômeno ocorreu nos Estados Unidos com Trump. Tanto Bolsonaro quanto Trump mencionaram, em suas respectivas posses, as "vozes que não foram ouvidas" - e desvirtuamento e manipulação da realidade/verdade. Eles mesmos sabem o que os conduziram até o posto máximo do Executivo.

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