© Todos os direitos reservados

Re-União 2017

China quer declarar guerra à Taiwan?

January 9, 2019

 

Xi Jinping, o despótico mandatário chinês, pretende reunificar Taiwan à China, submetendo-a ao governo da China continental à qualquer preço, mesmo que isto ocorra na base da violência.

Apesar de insistir no diálogo pacífico para resolver esta “crise” – que na verdade não é uma crise, mas uma unilateral imposição autoritária por parte do Partido Comunista Chinês para expandir o seu domínio territorial –, Xi Jinping, o homem mais poderoso da China desde Mao, que acumula as funções de presidente, secretário geral do partido e presidente da comissão militar central, não descarta a hipótese de uma intervenção militar para anexar Taiwan à força. 

 

Evidentemente – e com toda a razão – os taiwaneses não querem perder a liberdade que conquistaram à duras penas, com muito esforço e sacrifício, nos anos 1990. Da mesma forma que a nossa, a democracia taiwanesa é um evento recente. Assim como a China, Taiwan também era uma ditadura, mas com muito sacrifício e perseverança, a população conseguiu suplantar a tirania, e substituí-la por um regime democrático. E obviamente, não querem perder isso por nada no mundo. Os taiwaneses sabem que, uma vez que estiverem sob o domínio totalitário do governo da China continental, perderão todas as suas liberdades civis, políticas e individuais.       

 

ENTENDENDO O PROBLEMA

A China continental chama-se República Popular da China, e Taiwan – também chamada de Formosa – chama-se República da China. Antes do governo comunista, costumavam ser uma única nação.

Mas o que aconteceu?

 

Até o princípio dos anos 1920, a China era um único país, governado pelo partido nacionalista de um notório militar, chamado Chiang Kai-shek. Seu governo, no entanto, era extremamente corrupto, e durante esse período, o comunismo – financiado pelos soviéticos – começou sua plena ascensão na China. Determinados a tomar o poder, insurgiram-se, e deflagraram uma violenta e brutal guerra civil, que se estenderia por décadas. É fundamental entender que neste período da história, o comunismo estava começando a se difundir e a se disseminar pelo mundo. As atrocidades e barbaridades que foram cometidas em regimes totalitários marxista-leninistas ainda não haviam ocorrido, e muitas pessoas sinceras realmente acreditavam que o comunismo era o melhor caminho para a conquista de um mundo ideal. Em virtude da ampla insatisfação popular para com o governo de Chiang Kai-shek, que beneficiava as ricas oligarquias chinesas e torturava de forma excruciante os mais pobres e desamparados, não foi nenhum pouco difícil para os comunistas arrebanhar adeptos e militantes para a causa, que, em pouco tempo, juntaram-se à guerrilha, para tomar o poder.  

 

A guerra civil na China durou décadas. O conflito foi tenso e atribulado. Os nacionalistas receberam apoio logístico e militar dos americanos, enquanto os comunistas receberam dos soviéticos. E à princípio, ficava difícil saber exatamente quem iria vencer. Os comunistas no entanto, com muito esforço e persistência, venceram a guerra.  

 

Durante o levante comunista, um homem distinguiu-se por sua liderança: chamava-se Mao Zedong (ou Mao Tsé-tung), indivíduo natural de Shaoshan, um distrito localizado na província de Hunan. Um inveterado marxista-leninista que passava muitas horas por dia debruçando-se sobre literatura socialista, Mao parecia aos seus correligionários um homem disposto e determinado, pela sua liderança em campo, que era sempre enérgica e resoluta. Esta liderança, no entanto, à princípio muito elogiada e agraciada por seus colegas, mais tarde se transformaria em brutal, violento e nefasto despotismo. 

 

Ao vencerem a guerra, os comunistas monopolizaram o poder, e Mao tomou a dianteira como o líder político inconteste da nação. Na sequência, fundou, em 1949, a República Popular da China. Os nacionalistas, derrotados, fugiram todos para Taiwan. 

 

Em Taiwan, a maior parte dos nacionalistas estabeleceram-se em Taipei. Chiang Kai-shek passou a chama-la de capital dos tempos de guerra. Seria uma capital provisória, até os nacionalistas elaborarem um coeso plano militar para reconquistar o continente. Um evento que jamais aconteceria.  

 

Lá chegando, no entanto, Chiang Kai-shek também passou a governar Taiwan como ditador. Em pouco tempo, estabeleceu um nefasto, vil e sórdido regime de terror, que sacrificou as populações nativas – embora não ao ponto de exterminá-las completamente –, e mandava matar com requintes de crueldade todos os chineses que fossem suspeitos de terem quaisquer conexões ou vínculos com os comunistas do continente. Assim foi estabelecida a dualidade entre a China e Taiwan, com uma reivindicando domínio territorial sobre a outra. Os nacionalistas de Taiwan afirmavam que eram os legítimos detentores do poder sobre a China continental, enquanto o governo comunista continental reclamava – como o faz até o presente momento –, ser o legítimo soberano político sobre a ilha de Taiwan.

 

Este é um assunto que divide nações à décadas. Nem mesmo Inglaterra e Estados Unidos – há muito tempo aliados políticos ferrenhos, que concordam em vários pontos sobre diversos assuntos – nunca conseguiram chegar a um consenso sobre este tópico. Muitos veem o governo de Taiwan como sendo o legítimo governante de toda a China; afinal, os comunistas tomaram o poder pela força, portanto, através de um golpe de estado. Não foram eleitos democraticamente, por essa razão não deveriam ser considerados os legítimos governantes.  

 

E, ao contrário da China, Taiwan conseguiu tornar-se um regime democrático. Depois que Chiang Kai-shek morreu, em abril de 1975 (Mao morreria pouco mais de um ano depois, em setembro de 1976), ele foi substituído pelo seu filho, Chiang Ching-kuo. Gradualmente, os taiwaneses, com muita perseverança, paciência e coragem, foram desafiando a autocracia tirânica que governava a ilha, através de inúmeros protestos políticos. Neste árduo e difícil período de repressão, milhares de taiwaneses foram torturados e mortos pelo governo. Mas progressivamente, esta brava gente conseguiu derrubar o regime, e estabelecer uma sólida democracia em seu lugar. E é isto que eles lutam para preservar. A ameaça que a China continental representa é um perigo nefasto e sinistro, que pode resultar em uma conflagração bélica hostil e sanguinolenta.  

 

O presidente Xi Jinping fala constantemente em separatismo. Ele afirma que são os movimentos separatistas que comprometem a integridade política. Isto, no entanto, é uma falácia que busca ocultar deliberadamente suas pretensões autoritárias. A verdade nua e crua é que – muito mais do que separatista – Taiwan sempre foi uma unidade política independente, com seu próprio governo, sistema judiciário, exército, leis e moeda. Nunca dependeram da China para absolutamente nada. Muito pelo contrário, precisam lutar contra o tirânico dragão asiático, para manter a sua independência, liberdade, autonomia e integridade territorial. 

 

Há alguns anos atrás – sendo Taiwan um arquipélago de ilhas – o governo taiwanês da época propôs ao governo chinês a concessão de algumas ilhas mais próximas ao continente. Os habitantes destas ilhas, no entanto, protestaram efusivamente, em reiterada objeção à proposta. Afinal, compreendiam perfeitamente que, uma vez que estivessem sob o domínio do governo comunista, suas liberdades individuais seriam ostensivamente erradicadas e suprimidas.  

 

Há muito tempo, a China pressiona vários países para não reconhecerem a independência de Taiwan. Sofrendo pressão, sanções e boicotes de todos os lados – até mesmo determinadas companhias áreas não mais aterrissam na ilha, e as que o fazem recusam-se a nomear localidades específicas, como por exemplo a capital, Taipei, como parte de Taiwan; ao invés disso, usam a sigla PRC ( People’s Republic of China [inglês para República Popular da China]) – é vergonhoso saber que até mesmo os EUA, que eram o grande baluarte de resistência e apoio de Taiwan até pouco tempo, e o único motivo pelo qual o governo comunista da China continental nunca tomou a ilha pela força, passou a retroceder, se não em todos os pontos, ao menos em diversas exigências, deferidas pelos tecnocratas do governo chinês. 

 

Infelizmente, precisamos encarar o duro fato de que a China lançou-se em um brutal e perverso plano de conquista, com disposição para dominar o mundo inteiro. Evidentemente, as nações mais próximas sentirão isso com mais brutalidade e intensidade. As duas regiões autônomas da China, Macau e Hong Kong, também estão há um bom tempo com seus governos relativamente independentes ameaçados, e sucumbindo gradualmente diante da progressiva tirania do governo central. Vale lembrar que Macau foi colônia de Portugal – tanto que o português ainda hoje é um dos idiomas oficiais da região –, da mesma forma que Hong Kong foi colônia da Inglaterra. Estas duas regiões foram devolvidas à China no final dos anos 1990. Ambas as nações o fizeram, no entanto, mediante o acordo de que a autonomia destas regiões fosse respeitada, ao menos por um determinado período de tempo. Macau, conhecida como a Las Vegas do oriente, é o único lugar da China onde o jogo é permitido. E Hong Kong é o único lugar que pratica o capitalismo de livre mercado. Ocupa ano após ano o primeiro lugar no índice de liberdade econômica da Heritage Foundation. Durante o período maoísta, muitos chineses fugiam para Hong Kong, buscando refúgio e segurança da repressão comunista que assolava o continente.

 

Macau foi colônia portuguesa por 442 anos. A autonomia de Hong Kong, tecnicamente, deveria estender-se até o ano de 2047, exigência que o governo central, muito provavelmente, não estará disposto a cumprir. Ambas vivem pelo regime que o governo central chinês chama de “uma nação, dois sistemas”, formalizado por Deng Xiaoping. Xi Jinping ofereceu ao governo de Taiwan a possibilidade de ingressar neste regime, mas Tsai Ing-Wen, a presidente de Taiwan desde 2016, disse que jamais aceitará. Corajosa, ela foi mais além: exortou Pequim à adotar a democracia. 

 

Não obstante, Xi Jinping é intransigente, e está determinado a resolver este assunto, da maneira que for. Embora prefira o diálogo, o presidente não descartou a possibilidade de uma intervenção militar. 

 

Embora este impasse entre China e Taiwan exista há décadas – desde 1949, para sermos exatos – é evidente que o assunto vem progressivamente escalando para uma tensão política e diplomática explosiva, que pode resultar em um conflito armado. Xi Jinping é um autocrata determinado a expandir suas ambições de poder, e dispõe dos meios para isso. No entanto, suas invectivas buscam também consolidar sua liderança dentro do PCC. Xi sabe que se retroceder um milímetro em suas decisões, e em sua busca desenfreada por poder e progresso à qualquer custo, não terá o respeito de seus correligionários, correrá o risco de ser visto como um líder fraco, disposto a fazer concessões, e sua liderança poderá então ser questionada, o que enfraqueceria o seu domínio. Por esta razão, ele está estrangulando cada vez mais a autonomia de todos: cidadãos, políticos, mandatários do partido, governos locais, demandas por reforma e democracia. Como uma forma de garantir sua supremacia, conseguiu até mesmo incorporar sua cosmovisão política à constituição. 

 

Como este impasse será resolvido, é impossível prever. Resta-nos apenas torcer por Taiwan – uma pequena ilha do leste asiático –, que luta arduamente contra o domínio de um tirânico colosso político, que está plenamente disposto a atropelar a tudo e a todos, para saciar suas vorazes, deploráveis e desumanas aspirações de soberania e poder desenfreado. E que o governo americano não permaneça omisso, e faça o que deve ser feito, caso Taiwan seja arbitrariamente agredida pelas forças militares do continente. 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

Ode aos babacas

December 5, 2019

1/10
Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square