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Re-União 2017

Conjecturas da intolerância

January 9, 2019

O ano está mal começando e o nível de tolerância já começa a baixar...
No táxi eu exclamo "tá calor, tem ar?"..."Tem"...silêncio... o diligente motorista resolve perguntar: "quer que ligue o ar?" "Não! Eu adoro sentir quentura e chegar no trabalho todo melado e amarrotado".


Entro no elevador no térreo... o ascensorista indaga: "vai subir?". "Não, quero ficar aqui dentro parado; vou trabalhar no elevador hoje".


Tenho fome e desço para comer algo. Entro no restaurante e me dirijo a uma mesa. 
Diz o atendente: "vai almoçar?". "Não, vim aqui só visitar o toilette e comer hossomaki de cocô". 


De saco cheio eu retorno e, no elevador lotado das 13:00 hs, tudo grudando, aquela gritaria, mochila do motoboy encardindo minha camisa branca... começo a contar, baixinho (1, 2, 3, 4, 5... controle, controle...). Uma mocinha engraçadinha, com tattoo de estrela no ombro, assiste e diz: "O senhor fala sol-zee-nhooouol???". "Não, apenas tenho longas conversas comigo mesmo, mas são tão profundas que, às vezes, eu não entendo nenhuma palavra do que estou dizendo". 


Na proteção da minha salinha sou obrigado a puxar uma ligação telefônica. "Quero falar com o responsável da linha". "Com quem a senhora deseja falar?" "Com o responsável da linha; mas quem está falando?". "Com o responsável pela linha". A imbecil desliga. Eu que sou louco, né!?!?


Até meu computador me sacaneia: "Tem certeza de que deseja deletar esse arquivo?". "Sim" (clique). "Este arquivo será deletado. Não poderá ser recuperado. Porque está deletando esse arquivo? Pode dispor de alguns instantes para responder ao nosso Survey?". "Não respondo nada. Só quero deletar essa coisa" (mais um clique). "Aguarde um instante. O arquivo será deletado" (clique e ctrl+esc). "Apaga logo, e não fala mais nada. E foda-se o Windows, o Bill Gates e todos esses bostas aí da Microsoft" (clicão bem forte, quase um murro... pelo menos o teclado é resistente).


Vou embora.


Tomo o terceiro elevador e aperto o "T". Vem a pergunta: "Vai descer?". "Ué o T não é de Telhado? Quero ir para a cobertura do prédio e pegar meu tapete voador e ir pra casa". 


Segundo taxi: "Tá calor". "Quer que ligue o ar?". Só pensei em mandar o cara tomar no c... Mas não falei nada. O cara era maior do que o banco e cutucava o nariz fazendo bolinhas. 


Aliás, todos os meus repentes de jocosa intolerância de hoje não foram externados. Só pensados e fruto de ficção. 
Mas já vi que o ano vai ser punk.

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