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Re-União 2017

Você é da paz, eles não

February 6, 2019

 

Morei em Barcelona, muitos anos atrás.

Às vezes passeava num parque ajardinado, no meio da cidade. Certa vez eu ouvi disparos ritmados e algumas rajadas, por ali. Me aproximei, curioso e dei com um Clube de Tiro. Entrei e vi algumas pessoas que praticavam “tiro mexicano”, como vim a saber depois. Assim: alguns atiradores, lado a lado, com pistolas ‘45 nas duas mãos, disparavam contra silhuetas metálicas, enquanto se aproximavam delas, andando. Um barulhão tremendo.

 

Não deu outra: à partir daquele dia comecei a atirar lá, com armas emprestadas. Fiquei amigo de alguns atiradores, campeões de Tiro Olímpico, em campeonatos internacionais. Aprendi bastante. Certo dia

fui avisado que não viesse ao Clube nos dias tais e tais. É que o Generalíssimo Franco visitaria a cidade. E ele tinha medo de um atentado. Com razão, porque os catalães  tinham sido inimigos de Franco, na Revolução Espanhola. 

 

Os franquistas, desde então, tinham doutrinado os de Barcelona para que nunca andassem armados. Franco costumava dizer que os catalães eram demais explosivos, de sangue quente - portanto era melhor que não possuíssem armas. Era uma estratégia inteligente de desarmamento, que sob o pretexto do machismo, as autoridades mantinham o povo sob

rédea curta.

 

Uma ditadura dura o franquismo, que não se vexava em executar dissidentes de maneira cruel: amarravam-nos sentados de costas numa cadeira presa a um poste. E iam apertando uma coleira de metal em torno do pescoço do infeliz, estrangulando-o aos poucos.

Mas publicamente, lá fora, a vida corria risonha e feliz  sob um franquismo que se fazia de generoso e pacífico.

 

Aqui no Brasil, movimentos como Sou da Paz e *Viva Rio, nos governos petistas, usaram os mesmos argumentos contra as armas e o direito da legítima defesa. Curioso é que nestes dias, na Venezuela, os movimentos Viva Rio e Sou da Paz também estavam lá, tentando convencer os venezuelanos das mesmas razões de sempre: para que armas se Maduro é um homem justo e se importa tanto com a Venezuela e seu povo?

Hoje, quem andar armado sem ser policial ou soldado corre o perigo de ser jogado nas masmorras, torturado e morto. 

 

Aqui o Bolsonaro prometeu nos livrar das proibições da posse e de porte de armas. E não fez isso. Não seriamos nunca uma Venezuela, acreditávamos. Fiquei agora muito decepcionado com o decreto dele

sobre as armas. As restrições, os controles e a burocracia continuaram praticamente as mesmas dos tempos petistas. Mas parece que ele vai voltar ao assunto.

 

O cidadão armado defende não só os seus direitos pessoais como os da Nação, para que ela continue livre e democrática. E nunca esqueçamos este sério perigo: o pt é um animal ferido. Mas ainda não morto.

*Viva Rio participa de desarmamento na Venezuela
Antonio Rangel Bandeira, coordenador do Projeto de Controle de Armas do Viva Rio, falou durante abertura do encontro.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convidou um grupo de especialistas de todo o mundo para participar do Encontro Internacional sobre Desarmamento, em Caracas. O objetivo do encontro foi compartilhar as experiências de vários países em campanhas de desarmamento e na criação de leis de controle de armas.

Entre os especialistas convidados estava o coordenador do Projeto de Controle de Armas do Viva Rio, Antonio Rangel Bandeira, que levou a experiência brasileira na construção de uma legislação mais rígida, o Estatuto do Desarmamento, e sobre as três campanhas nacionais de entrega voluntária de armas, que já retiraram mais de 500 mil armas de circulação e levaram à queda em 11% do número de mortes por armas de fogo no país.

“A Venezuela e o Brasil têm problemas em comum. Um deles é a insegurança. E o Brasil vem tendo sucesso na implementação de uma política de desarmamento voluntário. Fizemos pesquisas sérias e envolvemos os meios de comunicação para conscientizar a população de que ter uma arma em casa é muito mais um risco do que proteção”, afirmou Rangel em discurso durante a abertura do encontro a convite de Hugo Chávez.

O governo da Venezuela vai implementar uma nova lei de controle de armas no país e formou uma comissão para avaliar o tema: a Comissão Presidencial de Controle de Armas, Munição e Desarmamento. A comissão esteve no Brasil em dezembro do ano passado, onde se reuniu com a equipe do Projeto de Controle de Armas do Viva Rio.

Estiveram presentes também no encontro em Caracas Rebecca Peters, ex-diretora e integrante do Conselho Diretor da Iansa, e William Godnick, coordenador do Programa de Segurança Pública do Centro Regional das Nações Unidas para a Paz, Desarmamento e Desenvolvimento da América Latina e Caribe (UN-Lirec).

Assista ao vídeo com o depoimento de Antonio Ragel Bandeira:

 

 

Vídeo mostra a diferença do tratamento dado aos cidadãos e policiais e aos bandidos armados:

 

 

 

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