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Re-União 2017

A suprema inutilidade do jornalismo

February 10, 2019

Chorar o leite derramado virou a grande especialidade do jornalismo que a duras penas se mantem de pé após o tsunami que atingiu e ainda atinge as mídias convencionais. Se lágrima fosse lama, o Brasil já teria sido soterrado depois da cobertura de Mariana, Boate Kiss, Brumadinho, CT do Flamengo...

Sejamos realistas: o jornalismo acabou e o que sobrou dele é apenas uma caricatura daquilo que ele já foi.

Fiquemos com um primeiro exemplo: se Raul Bastos ou Rodrigo Lara Mesquita estivessem no comando da rede de sucursais e correspondentes que abastecia, com informações de qualidade, os jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, teriam providenciado uma visita a todos os CTs do Brasil para ver de perto quantos outros garotos estão alojados e abandonados em instalações de alto risco...

PREVENÇÃO
Após o incêndio na Boate Kiss, as condições de segurança de boates e casa de shows teriam virado pauta permanente da rede até que houvessem melhoras substanciais em todo o setor no país...

Desde Mariana, há três anos, o jornalismo jamais poderia ser acusado, como agora, de omissão e co-responsável pela tragédia de Brumadinho.

Durante o mega desastre de Mariana, emergiram informações de que havia outras 800 barragens - inclusive, é claro, a de Brumadinho – em situação de risco... Raul e Rodrigo teriam mobilizado a rede para montar um roteiro completo dessas barragens – onde ficam, quem responde por elas, se existem refeitórios, alojamentos, pousadas ou vilas populosas a juzante...

Em três anos, teriam sido disparadas dezenas de centenas de alertas e de denúncias e o jornalismo teria um forte efeito preventivo...

MEA CULPA
O grande culpado pela tragédia de Brumadinho é, portanto, o falso jornalismo instalado nesta era de forte disrupção.

Informação de qualidade é um insumo caro e o desmantelamento do negócio que sustentava a mídia, baseado na publicidade, levou embora os recursos...

Tragédias como Mariana e Brumadinho expõem com clareza absoluta o quanto a sociedade brasileira perdeu e ainda perderá com o enfraquecimento das mídias tradicionais...e o que é pior: tudo ainda vai piorar muito antes de voltar a melhorar...

Evoluímos pouquíssimo em segurança na mineração após Mariana. Ainda temos penas 12 fiscais (eu disse DO-ZE) para vistoriar cerca de 800 barragens sob risco de rompimento...

O novo governo anunciou a criação de uma força-tarefa de emergência para ampliar, sem enfrentar burocracias, o número de fiscais... 

O novo contingente já teria sido criado e é mantido em treinamento intensivo, segundo revela o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles...

Seria verdade ? Onde e como se dá esse treinamento ? Quando começa a inspeção, quanto tempo será necessário para concluí-la? Nem esse tipo de pergunta o jornalismo de hoje consegue responder... estamos mesmo na lama e continuaremos nela ainda por muito tempo...

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