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Re-União 2017

O silêncio dos culpados

February 26, 2019

Os artistas se calam.
Já não se ouve um pio ou um cacarejo de engajados como Caetano, Ivete Sangalo, Fernanda Montenegro por ‘direitos humanos’, 'democracia’ ou 'liberdade’.
Os mesmos que foram às praças esbravejar indignados pela morte de Marielle se calam diante da tragédia da Venezuela.
A dor, a morte e a miséria do povo venezuelano simplesmente não existe para esse bando.

Tribos de artistas tem essa atitude.
Ou falta absoluta de alguma.
Músicos, intelectuais, escritores, escultores... nunca se ouve um pio dessa galera.
E quando se ouve, é aquela posição lastimável e escrota que todos estamos cansados de ver.

E os artistas plásticos, tribo à qual eu teoricamente pertenceria, talvez seja a mais silenciosa.
Mas felizmente não pertenço: nos últimos anos, graças à minha posição, os artistas plásticos mais radicais -muitos- silenciosamente se afastaram.
Outros me mandaram calar a boca e pintar quietinho, antes de sumirem.
Não reclamo, e nem poderia.
Raros permaneceram. São o que vale.
Sou livre, como sempre fui.
Defendo o que acredito, invariavelmente, desde que me conheço por gente, pintando, escrevendo ou simplesmente vivendo.

Disse Jabor que os artistas se calam por covardia.
Medo de parecerem reacionários, ao assumirem uma posição à direita, conservadora.
Pode ser.
Ou pode ser analfabetismo mesmo.
Ou anos de anticultura de esquerda, que destruiu os valores que nortearam sempre os verdadeiros artistas, comprometidos com sua época e com seus ideiais.

Falar em ideal parece uma piada, não é mesmo?
Parece uma piada que Picasso tenha pintado sua obra prima, Guernica, revoltado com a guerra e com o povo que morria.

No Brasil de hoje, os artistas ririam -silenciosamente- de Picasso.
Seria chamado de ingênuo e outras coisitas.

Mas foi a arte de Picasso, e seu significado, que permaneceram. 
A arte de um homem comprometido, enquanto ser humano, com sua fé. Com sua postura, fosse qual fosse.

O resto... é o silêncio.

*Em tempo: compor musiquinha de carnaval, pintar quadrinho ou escrever livrinho falando de direitos humanos pra faturar é mole.
Difícil é assumir alguma posição, e defendê-la.

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