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Re-União 2017

Lava Jato e o calvário dos denunciantes

March 18, 2019

O casal que desencadeou a Lava Jato – o empresário gaúcho Hermes Freitas Magnus, de 54 anos, e a jornalista paranaense Maria Theodora, de 61 anos – vive hoje fora do Brasil um tanto desprotegido e sob estado permanente de tensão. Persistem as ameaças de morte vindas da “Máfia Brasileira”, também infiltrada no exterior, segundo alerta a Corte de Imigração do país onde vivem na condição de refugiados.

Ambos são sócios da Dunel Ind. & Comercio, uma criativa e próspera indústria do setor eletroeletrônico, com grande potencial de crescimento, instalada em Londrina (PR), seis anos depois de ter nascido no município de Penha, no litoral catarinense. Hoje, a empresa encontra-se desativada.

UMA VIA SACRA
Tem sido um caminho difícil desde 2008 quando Hermes Magnus, apoiado pela sócia, decidiu denunciar os “movimentos estranhos” às voltas na empresa Dunel, em Londrina, sob o comando então da empresa investidora CSA Project & Finance.
As denúncias começaram anônimas e depois assumidas a diversos órgãos da justiça. Como nada resultava em ações efetivas, encaminharam o caso para o até então pouco conhecido juiz Sergio Moro, em Curitiba.

Não havia mais esperanças de que as denúncias seriam investigadas e levadas a sério, quando, já em 2014, viram pela televisão o lançamento da Operação Lava Jato. Logo em seguida, confirmaram que o Ministério Público estivera todo o tempo investigando o caso e naquele ano ofereceu denúncia à Justiça Federal arrolando como vítimas Hermes Magnus e Maria Theodora, em nome da Dunel, bem como a Petrobras.

O deputado José Janene (falecido em 2010) e seu sócio na CSA Project & Finance, o doleiro Alberto Youssef, usaram a Dunel para lavar dinheiro rapinado de várias fontes, principalmente da Petrobras.

DUNEL VIRA LAVANDERIA
Graças a Hermes Magnus, portanto, a justiça brasileira conseguiu reunir provas concretas e contundentes contra Youssef e vários executivos da Petrobras, entre os quais o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, o primeiro delator da Lava Jato.

Escancaradas as denúncias que desencadearam ameaças, teve início a via sacra do casal de denunciantes. A primeira dificuldade foi encontrar um País que os acolhessem como refugiados. As várias chancelarias consultadas exibiam sempre uma informação “obtida de uma anônima fonte do governo brasileiro” de que o casal não corria nenhum risco em permanecer no Brasil..

Hermes Magnus teve de entrar em campo para “implorar” do Ministério Público um documento que atestasse ameaças e riscos...

A muito custo, em janeiro de 2015, conseguiu uma carta do procurador regional da República, Januário Paludo, que reza em suas mais de 50 linhas: “ ...DECLARO, outrossim, que os fatos noticiados e os depoimentos prestados por HERMES MAGNUS foram essenciais para o desencadeamento de uma das maiores operações de investigação e persecução de lavagem de dinheiro e crime organizado em curso no Brasil, denominada “Lava Jato”. Finalmente, REGISTRO a corajosa e admirável postura de HERMES MAGNUS em trazer os fatos ao conhecimento das autoridades incumbidas da persecução criminal, a despeito de eventuais riscos econômicos e pessoais, merecedora do mais profundo respeito e admiração do signatário”...

CALVÁRIO PERSISTE
A carta atenuou as barreiras externas, mas não serviu para amenizar os demais pesadelos.


Capitaneados pelo execrável Diário do Centro do Mundo, sites ligados ao PT faziam – e ainda fazem - campanha para desmoralizar o denunciante; as instalações onde a Dunel iniciou, na pacata Penha (SC), foram destruídas por um incêndio que tem tudo para ser criminoso pois as instalações elétricas do prédio estavam desligadas...
 

Enquanto a Lava Jato recuperava bilhões e bilhões do dinheiro rapinado da Petrobras, a Justiça, inexplicavelmente, pagou apenas uma parte da indenização sentenciada: “Neste momento, o que mais precisamos é que a parcela restante do valor indenizatório no crime seja paga, conforme os cálculos da justiça do Paraná. Com a primeira parte, não conseguimos pagar todas as nossas dívidas relacionadas à empresa e a nossa sobrevivência no exterior”, diz-me Maria Theodora, com quem converso pelo facebook sem ao menos saber o País onde o casal vive atualmente...

JOICE HASSELMANN, TRISTE PAPEL
Por último vem a atitude, não menos execrável, da hoje deputada Joice Hasselmann: em seu livro “Delatores – A Ascensão e Queda dos Investigadores da Lava Jato”, ela classifica Hermes Magnus como delator, condição simplesmente humilhante para um cidadão que teve o destemor de denunciar a corrupção, mesmo sabendo que poderia receber em troca só ameaças e perseguição...

“O Magnus procurou a Joice para tentar desfazer o equívoco mas ela o ignorou olímpica e arrogantemente... não havia outra saída a não ser processá-la” – escreveu-me Maria Theodora ao acrescentar que o livro foi escrito pelo ghost-writer Pedro Zabarda com estreitas ligações com o Diário do Centro do Mundo e – pasmem ! – com o Zé Dirceu !

Depois de todo essa calvário, vocês se arrependem de terem denunciado tanta gente influente ? – pergunto à Maria Theodora que me responde inbox, pelo Messenger:
- Só nos arrependemos de um dia termos nos mudado para Londrina onde fomos nos amarrar nas pernas do Janene... da denúncia, jamais ! Por maior que seja o sofrimento, faríamos tudo de novo...

 

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