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Re-União 2017

A César o que é de César

March 22, 2019

A César o que é de César, a Olavo o que é de Olavo e a Felipe o que é de Felipe - confesso que foi esta a minha motivação para assistir a entrevista de Felipe Moura Brasil a Danilo Gentili no programa The Noite, dada a reação que se viu por parte de Olavetes e Bolsonaristas nas redes sociais. 


Longe de tentar impor um parecer "charlatanista-verdadeiro", baseando em leituras e interpretações esdrúxulas, listo aqui minhas impressões, baseando-me no que vi e ouvi. 


Sobre o caso Carlos-Beniano pareceu-me verdadeira e coerente a explicação dada por ele sobre a entrevista do ministro exonerado. Minha opinião pessoal sobre aquele caso é em favor de Carlos Bolsonaro, mas isto não me cega a abordagem que ele explicou. 


Sobre o professor Olavo de Carvalho algumas observações são importantes e quero ressalta-las. 
Gentili perguntou a Moura Brasil se o professor interferia em seu trabalho e foi nesse ponto que o jornalista e co-autor de um dos livros mais vendidos de Olavo disse as frases que vêm sendo repetidas a exaustão, significando para meu entendimento que ele é um jornalista adulto, sério e independente. A quem se interesse, estão no fim deste texto. 


Então onde está o motivo de tanta comoção? 
No fanatismo dos seguidores olavetes? 
De modo algum! A comoção está na incoerência.

 
Explico.
Danilo Gentili não precisava de modo algum ter tocado no nome de Olavo de Carvalho, não haveria perda alguma para a entrevista, mas ao fazê-lo deu a Felipe Moura Brasil a oportunidade de falar tudo o que quisesse, qualquer coisa que quisesse ou nada. Considerando registros do próprio Felipe (também disponíveis no final deste texto), é seguro dizer que Olavo tem grande participação na formação do ilustre jornalista. Qualquer um que tenha passado ao menos uma semana no Brasil no último ano sabe que o professor Olavo vem sendo sistematicamente, ininterruptamente atacado e achincalhado e aí está a incoerência de Felipe Moura Brasil, como ensinou São Tomás de Aquino (e quando era aluno do professor o nobre jornalista seguramente o estudou) "Não se opor ao erro é aprova-lo, não defender a verdade, é negá-la". 


Ao deixar passar a oportunidade de esclarecer, ainda que brevemente, as injustiças sofridas pelo professor, Felipe Moura Brasil contradiz o que vinha apresentando como moral e correto nesta mesma entrevista. Ele apenas dissociou sua imagem da imagem de Olavo.


Não que Olavo precise que o defendam, seu legado fala por si e é maior que tudo o que vem sendo publicado e republicado a seu respeito, mas certamente o jornalista Felipe Moura decepcionou aos mais atentos, que até então acreditavam na inviolabilidade de sua moral ilibada. 
Seus motivos obviamente nos são desconhecidos, mas lamentavelmente, o resultado que se viu foi triste: Felipe foi conivente com o que hoje se chama extrema mídia. 

 

Frases de Felipe Moura a Gentili sobre Olavo de Carvalho.

- "Nunca encontrei pessoalmente o Olavo";
- "Sempre foi uma relação de trabalho";
- "Quando precisa tratar alguma coisa eu falo por email com a esposa dele";
- "Ele mora lá nos EUA. Eu nunca o visitei na casa dele."
- "Ter organizado essa obra não significa que eu tenha uma sujeição ao pensamento do Olavo sobre todos os assuntos."

 

Felipe Moura Brasil sobre Olavo de Carvalho.

2012:
"Soneto do estudante sério
(Para Olavo de Carvalho *)

E agora que eu li tanto, tantas obras
De autores tão malditos, quanto pude
Receio não haver nem mesmo sobras
Das minhas vis paixões de juventude.

Quão falso era meu mundo, e amiúde
Com quanta prontidão lhe fiz as dobras
Na ânsia de manter minha atitude
Imune a todo tipo de manobras.

Fui tolo, como assim o é quem pensa
Não ser manipulado pela imprensa
Em todas as questões da vida humana.

Ninguém recebe alta desse hospício
Sem auto-humilhação, sem sacrifício
De sua cabecinha provinciana.


*Pós-escrito 1 [via facebook]: 
Para minha imensa honra (e "enooooorrrme satisfação"), o Prof. Olavo de Carvalho, o maior filósofo brasileiro, comentou, elogiou e recitou ontem o meu "Soneto do estudante sério" em seu sempre esclarecedor programa de rádio, True Outspeak.

Ter um soneto recitado por Olavo é, para mim, sem o menor exagero, o mesmo que para muitos compositores seria uma gravação do Pavarotti, para muitos jogadores uma tabela com Pelé, e para muitos colunistas da nossa imprensa um beijo de Fidel Castro ou Barack Obama.

Não há título acadêmico que valha isso.

Obrigado a você, mestre."

 

2013:

"(…) Me aprofundei estudando a obra dele, fiz os cursos. Sou aluno do Seminário de Filosofia. Um aluno meio atrasado (…) mas estou recuperando. Quanto eu mais estudava a obra do Olavo, mais eu ficava com vontade de mostrá-la pros amigos. Olavo ia até os fundamentos das questões (…) Aí eu comecei a ser colaborador do site Mídia sem Máscara, criado pelo Olavo (essa foi mais uma porta que ele abriu pra gente: em 2010 comecei a escrever artigos para o MSM, fui me aproximando ainda mais desse universo.


(...)
O Olavo me respondeu por email [sobre o projeto do livro “O Mínimo”] - email que eu tenho lá muito bem guardado - ficou bem interessado. Eu mandei para ele num sábado, que é o dia do curso online Seminário de Filosofia (um curso maravilhoso que eu recomendo a todos). Leiam o Mínimo, primeiro, depois façam o curso do Seminário de Filosofia. E, no dia que ele recebeu o projeto, ele deu uma aula no COF, contente com o trabalho, e falando sobre a responsabilidade dos alunos, até em divulgar a obra dele e convocando a gente para uma “obra de caridade” como ele diz. Como se o Brasil fosse um sujeito que estivesse tendo um infarto na rua e você fosse um médico e todos precisássemos salvar essa pessoa (que, no caso, é o país inteiro).”

 

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