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Holocaustos em nome da Revolução

April 3, 2019

Sem entrar no mérito da discussão, afirmar que o nazismo era de esquerda é uma proposição absolutamente RAZOÁVEL. Hitler certamente não era marxista, mas também era anticapitalista (num discurso de 1922, chamava o capitalismo de "exploração inescrupulosa do homem"), e se dizia socialista ("haverá uma forma mais nobre ou mais excelente de Socialismo e há uma forma mais verdadeira de Democracia do que esse nosso Nacional Socialismo?" - 1937). A confusão é que hoje em dia marxismo e socialismo viraram sinônimos, mas há 100 anos havia outros tipos de propostas socialistas que repudiavam o marxismo, e há ainda mais tempo outras ideias foram classificadas entre a esquerda política, como o republicanismo e o anarquismo.

 

Ora, se a classificação do nazismo entre as ideias de esquerda é razoável, a histeria e o pânico que assaltam a universidade e a mídia a cada vez que isso vem a tona é inexplicável. Um investigador sério, interessado na verdade, deveria se aproximar do debate de maneira serena e desapaixonada, coligindo fatos e documentos para construir uma aproximação mais fiel da realidade, mas de repente você vê historiadores e jornalistas tendo convulsões espasmódicas porque alguém chegou a uma conclusão diversa da deles.

 

A reação emocional deve-se ao fato de que Hitler foi um "genocida mau", em oposição a Stalin, Mao e Che, que foram "genocidas do bem". Não há absolutamente nada que Hitler tenha feito que outros heróis da esquerda moderna não tenham feito pior (eugenia, genocídio, campos de concentração, discriminação racial e religiosa, discriminação de homossexuais e mulheres), mas Hitler não lutava pela revolução, logo ele não era legal. Já Stalin matou 20 milhões e Mao 40 milhões, de fome, frio e por execuções sumárias, mas tudo bem porque eles estavam perseguindo a igualdade e a justiça social, logo eles não só estão desculpados como ainda podem ser comemorados.

 

No fundo toda essa irritação não é porque Hitler era um crápula, e sim porque a pureza da narrativa revolucionária deve ser preservada. Essa gente cometeria cem Holocaustos em nome da Revolução num piscar de olhos.

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