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Re-União 2017

Por que a direita está certa e a esquerda está errada?

April 28, 2019

Direita e esquerda discordam de muitas coisas. Suas divergências nos campos político, ideológico, social e cultural são tão imensas que seria necessário uma volumosa enciclopédia para abordar suas diferenças, opiniões, pontos de vista e soluções para os problemas que acometem a humanidade. Como um direitista contumaz, não posso deixar de reconhecer as incomensuráveis discordâncias culturais que existem entre os dois grupos. No entanto, o cerne deste conflito deve nos remeter àquela que é a principal distinção entre estes polos políticos tão diferentes, e porque, historicamente, podemos comprovar que a direita sempre esteve certa. A questão preponderante – talvez a maior divergência entre direita e esquerda – possivelmente se refere às atribuições e ao tamanho do estado. Enquanto a direita sempre priorizou um estado pequeno, a esquerda, por outro lado, tem predileção por um estado grande. 

 

A esquerda sempre foi favorável a um estado paternalista e patrimonialista; um estado enorme, que cuida de todos os aspectos da sociedade, aquilo que chamamos de estado regulador altamente intervencionista. A direita, por outro lado, sempre priorizou o que poderíamos chamar de estado mínimo, ou minarquismo, um modelo de estado que na verdade nunca foi aplicado no Brasil. Neste modelo, o estado não faz muito além de cuidar da segurança da população, com forças armadas, polícia e tribunais para combater crimes variados, como assaltos, fraudes, extorsão, sequestro e toda a sorte de agressões e contravenções. Por que esta diferença? Podemos dizer que a esquerda tem medo de grandes empresas e megacorporações, enquanto o maior receio da direita é o estado grande. 

 

A esquerda, no entanto, ignora, deliberadamente ou não, os problemas inerentes a um estado grande. O estado – qualquer estado, seja ele qual for – não será administrado por anjos puros, sacrossantos, generosos e altruístas que irradiam paz, amor e infinita benevolência. Será administrado por políticos, pessoas comuns como eu e você, saturados de falhas e deficiências. Estas pessoas terão incomensurável poder em suas mãos, e frequentemente usarão este poder para o mal. A saber, para aquisição de mais poder e enriquecimento ilícito. Um estado muito grande irá fatalmente gerar níveis de corrupção alarmantes, proporcionais ao tamanho do estado. Políticos irão perpetrar crimes variados, como peculato, prevaricação, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, improbidade administrativa, entre muitos outros. Não raro aceitarão suborno para favorecer determinados aliados, sejam eles políticos ou corporativistas. Isso, além de inevitável, é incontestável. Nós, brasileiros, convivemos à décadas com a corrupção sistêmica. A Operação Lava Jato revelou um dos maiores esquemas de crimes governamentais já cometidos na história da política mundial, e mostrou que o PT é uma organização criminosa disfarçada de partido político. Evidentemente, a Lava Jato foi muito além, e escancarou para quem quisesse ver que todo o sistema político está absolutamente contaminado e apodrecido. Isto aconteceu porque o estado brasileiro é enorme, muito maior do que o necessário, sendo praticamente uma versão latino-americana da União Soviética. No Brasil, a cada minuto um novo esquema de corrupção é revelado para a população, e ela ocorre em todos os níveis, federal, estadual e municipal. É necessário ressaltar ainda que apenas uma pequena parcela de todas as contravenções são descobertas. Esta é uma das razões primordiais pelas quais o estado deve ser pequeno. Como Jeffrey Tucker certa vez falou, “quanto menor for o estado, menor será o seu poder para cometer crimes”. 

 

O que normalmente acontece em sociedades de esquerda – com o estado altamente intervencionista – é que não raro a liberdade da população desaparece completamente, e o governo transforma-se em uma ditadura. Isso é uma consequência natural. Se o estado se dilata, a liberdade tende a desaparecer. É uma reação em cadeia. O estado começa a arregimentar atribuições que não são de sua competência natural, e a liberdade da população vai gradualmente desaparecendo. China, União Soviética, Cuba e Venezuela exemplificam muito bem a realidade de um estado grande, onipotente, soberano, absoluto, despótico e interventor. A realidade dos fatos mostra isso de forma incontestável, não é necessário enveredar por teorias abstratas. E vale ressaltar que até hoje a esquerda defende algumas destas ditaduras, o que mostra que ela não se opõe de maneira alguma a regimes totalitários.   

 

Em uma sociedade de esquerda – como o estado regulador controla a economia de forma absoluta –, a população não usufrui de liberdade econômica alguma, o que faz a pobreza aumentar. Quando o empreendedorismo não é deliberadamente criminalizado, o excesso de regulamentações, burocracia e impostos sobre a livre iniciativa torna absolutamente impossível para qualquer indivíduo montar o seu próprio negócio. Legislação impraticável e burocracia aviltante inviabilizam a ação humana. Esta é, basicamente, nossa situação no Brasil. No índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, o Brasil encontra-se na 153ª posição; é, basicamente, um país saturado de monopólios, oligopólios, agências reguladoras, reservas de mercado discricionárias e protecionismo corporativo. Todo o diagrama econômico é controlado e regulamentado pelo estado, resultado de décadas de governo de gangues socialistas como PSDB e PT, que cartelizaram completamente o mercado, e dilaceraram a liberdade econômica que costumávamos ter, e que nunca foi lá essas coisas. A pobreza criada por este sistema fortalece o discurso de esquerda, que coloca a culpa da miséria no capitalismo, e solicita mais estado, o que na prática vai gerar mais escravidão e pobreza, para combater problemas que na verdade foram criados pelo excesso de estado. Quanto mais regulamentações, mais pobreza haverá em um país. Quanto mais economicamente livre, mais prosperidade existirá. 

 

Outro problema que é necessário expor – e que o professor marxista do seu filho deliberadamente omite em sala de aula –, é que quanto maior for o estado, maior será a carga tributária sobre a população, que precisará sustentá-lo, pois o estado não gera riquezas. A receita do estado vêm daquilo que é confiscado da população por meio de impostos, taxas e tarifas. Paradoxalmente – em decorrência do nível excruciante de regulamentações econômicas –, será cada vez mais difícil para a população produzir riquezas. Com um estado menor, por outro lado, a carga tributária e a burocracia, que são fardos deletérios para a sociedade, serão menores. Para um indivíduo abrir o seu próprio negócio na Nova Zelândia, por exemplo, ele precisa de apenas três horas, e pode fazer isso gratuitamente. Em contraste absoluto, no Brasil, levará quase três meses, e o custo é exorbitante, podendo passar de mil reais, além da burocracia contábil e dos demais custos agregados. Ou seja, o estado cobra indevidamente do empreendedor antes mesmo deste ser capaz de gerar lucro ou ter um faturamento capaz de cobrir os custos do investimento. Isso é pura extorsão institucionalizada. Como um país desses pode gerar prosperidade ou almejar tornar-se desenvolvido? No atual modelo em que vivemos, quem de fato gera pobreza no país ao colocar tantos obstáculos sobre a livre iniciativa, a grande responsável pela geração de prosperidade, é o próprio estado.   

 

Fato é que os fetiches da esquerda custam muito caro para uma sociedade. Quando a esquerda prevalece, a população fica completamente refém das arbitrariedades do estado, impossibilitada de criar riquezas e gerar receita, e portanto, fadada à pobreza, à miséria e a escassez. Megacorporações, por mais indesejáveis que possam ser, não podem fazer nada contra você. Funcionários da Nestlé não entrarão na sua casa no meio da noite para leva-lo contra a sua vontade simplesmente por criticar a empresa onde trabalham, mas o estado, quando tem muito poder e considera toda a sociedade em um determinado território como sua jurisdição, poderá fazer o que quiser com as pessoas, inclusive eliminar sumariamente cidadãos críticos ou descontentes. Não há dúvida nenhuma do real perigo que o estado representa, especialmente quando este se torna demasiadamente poderoso, soberano e onipotente.      

 

Outro sintoma pernicioso do gigantesco estado brasileiro são as estatais. Hoje, o estado brasileiro tem centenas de empresas estatais, sendo cento e trinta e cinco delas federais. Como João Amoêdo, um dos presidenciáveis, muito bem expressou, “por que o estado precisa de empresas?” Se não tem competência e capacidade para fazer o básico pela população, como oferecer segurança, por que se concentrar em atividades de natureza econômica, que são secundárias? Em uma sociedade de direita, por outro lado – que evidentemente não será perfeita – um estado menor vai se concentrar em fazer o básico: proteger a população e zelar pela segurança dos cidadãos. Como a carga tributária e a burocracia serão muito menores, a sociedade vai ter muito mais facilidade para gerar riquezas e prosperidade, elementos que – ao contrário do assistencialismo de esquerda, que é um paliativo – efetivamente combatem as causas da pobreza. 

 

O grande problema do Brasil é que os papéis foram invertidos. Tecnicamente, estado e governo deveriam servir à população. No Brasil, no entanto, o leviatã cresceu tanto, que é a sociedade que serve ao estado e ao governo. Nosso estimado Luiz Philippe de Orléans e Bragança expressou a verdade de forma clara e resoluta quando disse: “No Brasil, o povo não é soberano. Uma constituição deve impor limites ao governo e ao estado, já que o dono do país é o cidadão. Nossa constituição atual impõe limites à população, já que o dono do Brasil é o estado”. Um perfeito resumo de nossa deplorável realidade. 

 

O que nós brasileiros efetivamente precisamos é de menos estado, e mais ação individual. Menos Brasília e mais Brasil, como disse o presidente. Precisamos de mais cidadão, e de menos governo. Este é o único caminho para o progresso e a prosperidade. O caminho contrário é o socialismo, e socialismo – como sabemos perfeitamente – gera pobreza, destruição, miséria e tirania, nefastas consequências que destruíram completamente o país vizinho, Venezuela, e cuja destruição acompanhamos até hoje, com apreensão e tristeza. Onde não há uma direita forte, haverá uma esquerda prepotente, brutal, despótica e destrutiva. 

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