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Re-União 2017

Deserção em massa de militares desestabiliza as forças armadas da Venezuela

May 2, 2019

Na Venezuela, a situação está terrivelmente difícil para todo mundo. Até mesmo para militares de baixa e de média patente. Descontentes e insatisfeitos por receberem ordens de reprimir com brutalidade manifestações contra o governo bolivariano, eles preferem fugir. O salário absolutamente miserável – equivalente a apenas dez dólares – e a completa e total escassez de alimentos nos quartéis são elementos que facilitam muito a decisão de fugir do país. Muitos soldados são obrigados a custear o próprio uniforme, ou alguns de seus apetrechos. Os desertores informaram também que a corrupção é um problema crônico na hierarquia mais alta das forças armadas. Oficiais de alta patente vivem vidas nababescas – de irrefreável opulência e suntuosidade –, que contrasta ostensivamente com as condições precárias do restante da soldadesca. Para muitos, fugir é a única alternativa possível para sobreviver.  

 

Em sua maioria, os desertores fogem para a Colômbia por ser uma rota de fuga mais fácil, ainda que o Brasil seja visto como um destino igualmente viável, dependendo das circunstâncias. Integrantes da Guarda Nacional Bolivariana também estão desertando em grandes números. Mais de mil e quatrocentos já teriam desertado apenas este ano, com muitos outros ansiosos para fugir. 

 

Apesar da deserção em massa de militares, uma insurreição total das forças armadas no presente momento é altamente improvável. Infelizmente – talvez prevendo esse tipo de situação – Maduro colocou militares de alta patente em posições e cargos estratégicos do seu governo, inclusive no comando de empresas estatais. Estes militares não se voltarão contra o ditador, pois teriam muito a perder. Maduro sabe que pode manter a elite das forças armadas ao seu lado, enquanto estiver disposto a recompensá-la com salários elevados, bônus atraentes e inúmeros privilégios e benefícios adicionais. Enfim, uma espécie de suborno em troca de lealdade política. 

 

Para tentar conter a onda de deserções, o governo passou a coagir militares de baixa e média patente, que são frequentemente intimidados. Os soldados são ameaçados, e seus superiores afirmam que suas famílias sofrerão retaliação, caso decidam desertar. Alguns militares tiveram seus telefones grampeados e passaram até mesmo a serem vigiados. Em decorrência da escassa lealdade destes, o governo bolivariano passou a contar cada vez mais com delinquentes civis para compor milícias organizadas – os conhecidos colectivos – que são corriqueiramente empregadas em atividades de terrorismo popular, com o objetivo de perseguir e intimidar grupos ou indivíduos que não apoiam o ditador Nicolás Maduro, ou que não são simpatizantes do seu regime tirânico, depravado e escravagista. 

 

No entanto, é inegável que as deserções em massa tem desestabilizado sobremaneira o exército e a guarda bolivariana. Para tentar compensar estas perdas, recentemente o governo decidiu anistiar criminosos e presidiários, para alistá-los compulsoriamente nos regimentos militares; uma decisão que deixou soldados e veteranos profundamente ressentidos. Ou seja – com a necessidade de bandidos para integrar o contingente – o governo bolivariano definitivamente chegou ao fundo do poço. Dá os seus últimos estertores em sórdidos espasmos convulsivos, torcendo para sobreviver mais um pouco. Não sabemos exatamente quando, mas é uma questão de tempo até este atroz e maledicente governo deixar de existir, o que será um grande alívio para os venezuelanos.  

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