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Re-União 2017

Doris Day

May 14, 2019

A única coisa realmente imperdoável na carreira de Doris Day foi ela ter recusado o papel de Mrs.Robinson no filme "A Primeira Noite de Um Homem". Não que Anne Bancroft não tenha sido um acerto, mas Doris era mais bonita, mais completa como atriz, mais sexy, e sua perna ficaria melhor no cartaz.

 

Doris não incomodava por ser a namoradinha, mas a "mulher pra casar" da America. Seu grande pecado foi defender virtudes. É famoso o comentário do pianista Oscar Levant – muita gente acha que a piada é do Groucho Marx – de que ele estava há tanto tempo em Hollywood que conheceu Doris Day antes de ela ser virgem. Maldade pura, aquela invejinha velada de sempre de quem faz sucesso sem apelar. Paulo Francis escreveu certa vez que Doris era uma espécie de ideal feminino para os padrões da época, pois Marilyn Monroe era considerada bunduda e vulgar, Grace Kelly e Elizabeth Taylor eram aristocráticas e inacessíveis, Bridget Bardot apenas uma precursora das eurotrash girls.

 

Doris chegava equilibrando tudo isso: bonita na medida, sensual na medida, engraçada na medida, tudo muito equilibrado, daí seu alcance e sucesso. Várias tentaram o mesmo atalho. De Elizabeth Montgomery a Meg Ryan, chegando a tentativas anêmicas de Jennifer Anyston e Zooey Deschanel, nenhuma chegou tão próxima de ser a girl next door perfeita e resvalou seu sucesso. Acho que foi George Burns quem disse que gostaria que Doris Day fosse sua vizinha e que um dia batesse em sua porta pedindo uma xícara de açúcar. Mas com uma condição: que fosse embora logo depois. O fetiche era só esse, não precisava acontecer mais nada. Sempre vi essa brincadeira como um grande elogio. Agradar sem fazer esforço sempre será coisa para poucas. MUITO poucas.

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