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Re-União 2017

A greve da esquerda

May 16, 2019

Orwell cunhou o termo "duplipensar", que definiu como "saber e não saber, estar consciente de sua completa sinceridade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões que se cancelam mutuamente, sabendo que se contradizem, e ainda assim acreditar em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade e apropriar-se dela, (...) esquecer o quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza máxima: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. (George Orwell, "1984", Martin Secker & Warburg Ltd, Londres, parte 1, capítulo 3, p. 32).

 

Ontem o dia amanheceu com greve dos estudantes contra o contingenciamento de verbas do MEC, e eu achei oportuno investigar o que um esquerdista raiz, com pedigree, pensa disso, em comparação com o que ele mesmo pensava quando, em agosto de 2015, sob Dilma Rousseff, o MEC também cortou verbas das universidades federais.

 

Igor Fuser é professor de Relações Internacionais na UFABC, e daqueles esquerdistas hardcore, que falam que a Venezuela é a maior democracia da história da humanidade, que impeachment é golpe, que Lula foi condenado sem provas, que a primavera árabe foi uma ideia genial e que o Irã está sob ataque do imperialismo estadunidense. Pois bem, um outro professor da UFABC, líder do sindicato, elaborou um manifesto em 2015 denunciando o sucateamento das universidades federais pelos governos petistas, e convocando os colegas a iniciarem a uma greve. Eis que o Igor Fuser entra em cena, o bom senso e a racionalidade em pessoa:

"Você acha justo prejudicar a vida dos estudantes como um meio de expressar o nosso descontentamento? (...) Você não acha contraditório entrar em greve em nome de melhorar a educação e, na prática, tornar a educação ainda pior ao deixar os alunos sem aulas?"

 

Pra quem quiser,está aqui o post original: https://www.facebook.com/groups/298927383496883/permalink/948989961823952/.

 

O mesmo Igor Fuser, agora, de repente virou um entusiasta da greve de estudantes e professores, conforme prints abaixo.

O mesmíssimo indefectível Fuser que publicou um artigo na Forum, intitulado "A Globo é o principal agente da imbecilização da sociedade" (com o que eu concordo com ele, mas por motivos certamente bastante diferentes) em que ele afirma que "as greves, por exemplo, são apresentadas [no noticiário da Globo] sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça".

 

Pra quem quiser, segue o link: https://www.revistaforum.com.br/igor-fuser-a-globo-e-o-pri…/

 

Então vamos entender.

Na opinião do digno professor, fazer greve é lindo, desde que seja contra patrões capitalistas ou contra um governo "de direita". Mas se o patrão for o PT, aí "não vamos fazer greve, porque prejudica a vida dos alunos".

Ou seja, essa greve não tem nada a ver com luta por melhores condições e mais verba pra educação e pesquisa - é tudo sobre instrumentalizar milhares de servidores e estudantes como gado numa guerra de atrito contra um governo de matiz conservador. Quando o PT cortou verbas da educação, essa mesma gente não deu um pio.

 

"Usaremos o idiota útil na linha da frente. Incitaremos ao ódio entre as classes. Destruiremos a sua base moral, a família e a espiritualidade. Comerão as migalhas que caírem das nossas mesas. O Partido será Deus." Lênin

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