© Todos os direitos reservados

Re-União 2017

E o direito das mulheres?

May 30, 2019

O Estado norte-americano da Georgia aprovou uma lei que libera o aborto somente até o momento em que o coração do bebê começa a bater (o que ocorre entre a 3ª e 4ª semanas após a concepção), salvo nas hipóteses de estupro.

Diante disso, a Netflix anunciou um boicote ao Estado, ameaçando parte dos US$ 2,7 bi em investimentos da indústria do cinema em novas produções no local, indústria que emprega cerca de 92.000 pessoas, movida por um incentivo fiscal que devolve ao estúdio 20% do total investido na produção. Tudo para defender o que seria o "direito fundamental da mulher a tomar decisões envolvendo seu próprio corpo", nas palavras de Kirsten Schaffer, líder do grupo feminista "Girls on Film".

 

Impossível descrever o quão bisonho é ver uma empresa que, como qualquer empresa, vive da boa vontade de seus consumidores, tomando uma posição radicalmente ideológica e divisiva sem que absolutamente ninguém houvesse pedido ou pressionado para tanto.

 

O que é ainda mais bisonho, contudo, é que a Netflix ainda não anunciou boicote à Turquia, país onde mantém escritório que financia produções locais, e de onde difunde séries como "Ressurrection Ertugrul", considerada a Game of Thrones do mundo muçulmano. A mesma Turquia em que casamentos de marmanjos de 40 anos com meninas de 9 anos são permitidos, em que um homem tem o direito, assegurado por lei, de espancar sua mulher, e que ocupa o lugar n. 130 entre 149 países no ranking de desigualdade de sexos.

 

Tampouco há notícia de algum boicote da Netflix ao Paquistão, país em que a empresa igualmente investe fortemente em produções como "Sufi Soul". O mesmo Paquistão em que vigora a Sharia como lei civil e penal, fazendo com que a mulher seja legalmente subordinada ao homem, em que vítimas de estupro são impedidas por lei de usar exames de DNA para acusar o estuprador, e que ocupa o lugar 148 entre 149 países no mesmo ranking de desigualdade de sexos acima citado.

 

A Netflix também ainda não anunciou boicote à Indonésia, país em que produz documentários como "Jago: a life underwater". Mesma Indonésia com uma mortalidade materna abissal de 220 mulheres a cada 100 mil partos, em que 96 leis criminalizam condutas sexuais de mulheres, em que 60 leis em vigor dizem como a mulher deve se vestir, e em que mais de 90% dos processos por estupro terminam com a mulher sendo presa.

 

Daí já se nota que tanto a Netflix quanto os coletivos feministas que dizem defender os "direitos das mulheres" estão POUCO SE LIXANDO para os direitos das mulheres. O que esse pessoal tem, de verdade, é uma verdadeira tara (no sentido mais completo de deformação moral) por matar bebês. Resta saber se a Netflix, por uma questão de absoluta coerência, vai abdicar também do dinheiro da parcela substancial de seus 170 milhões de assinantes que são contra o aborto irrestrito (já que eles claramente não são bem vindos). Ora, se Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, disse que a empresa irá reconsiderar "todo seu investimento na Georgia se o Estado implementar sua lei anti-aborto", é de se imaginar também que a empresa está reconsiderando aceitar o dinheiro dos assinantes que tem essa estranha tendência a considerar um bebê na barriga da mãe um ser humano e não um alface.

Vamos aguardar.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

E o guerreiro Zé Mojica se foi

February 19, 2020

1/10
Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square