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Re-União 2017

Os irmãos

May 29, 2019

 

Ciro já tinha seis anos quando Cid nasceu.

De pé, colado na grade do berço, passando o dedo no butico e colocando no nariz do bebê, ele dizia assim para a sua mãe:

- Oxe, mainha! Menino orelhudo, feio da peste.

-Tu cagaste ele, foi?- Cale a sua boca, filho da moléstia, já está na hora da sua medicação.Espere aí que vou pegar.

- Vô tumar, não. Já tô entojado desse Gradenal, vô lá tacar pedra no galo.

 

E o catiço saía correndo, para fugir da colher de remédio ruim e do chinelo ligeiro na bunda. O tempo foi passando, rápido como sempre, e Cid, aos sete anos de idade, arrumava confusão todo santo dia:

- Mainha, mainha, mainha!!!

- Fale logo, remelento!

- Num sei se digo...

- Agora vai dizer, ah, se vai!

- O Ciro está fazendo meia, lá no curral. Ele mais o sobrinho do seu Zé da   farmácia.

- Vou rachar a tua moleira, milongueiro duzinfernos - berrava Ciro, de longe, com a bermuda nas canelas.

 

Muitos e muitchos anos depois, os dois começaram a se entender um pouco mais. Foi quando passaram a frequentar a mesma zona. A mesma zona política.

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