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Re-União 2017

Demokrácia, entre dois amores

June 8, 2019

Homero, aquele da Grécia, escreveu um livro que pouquíssimas pessoas leram. A obra data de 838 A.C, e ficou esquecida por anos e anos, guardada no armário do banheiro de uma garçoniére que ele mantinha em Esmirna, sua cidade natal.

 

O livreto, de apenas quarenta e cinco páginas, narra a história da pequena deusa Demokrácia e de seus dois pretendentes eternos, o semi-deus Reinalduzevedos e o titâ Marcus Vilas.

Apenas duas pessoas têm uma cópia desta história, eu e Leandro Karnal.

 

Resumirei-a:

Demokrácia era a linda filha de Epitemeu com Pandora, e sempre foi uma menina muito desastrada e dispersa, o que trazia grande preocupação para os seus pais:

- Filha, pelo amor de Zeus, não mexa na caixa da mamãe, ok? Vá brincar lá fora, vá!

- Filha, vou visitar o seu tio Prometeu, que está bem ruim do fígado. Acho que nem transplante dá jeito; enfim, não abra a porta de casa pra ninguém, hein?!

Assim, cercada de todos os cuidados possíveis e imagináveis, Demokrácia cresceu e começou a chamar a atenção de todos os rapazes da área, que eram prontamente repelidos pelos seus dois vizinhos.

 

Reinalduzevedos - o vizinho da esquerda trotskista - e Marcus Vilas - o vizinho da direita temerosa - jogavam água fervendo em qualquer gajo que apenas olhasse para a jovem.

 

E todos os dias, quando o sol se punha, eles iam brigar na frente da casa da cocota Demokrácia:

- Eu sou a pessoa que mais ama a Demokrácia. Fiz cinco - cinco!!!- poemas de amor para ela - dizia Reinalduzevedos.

- Você é um bandido, um fascista, um nazista que não sabe nada de história - cuspia Marcus Vilas.

- Vê se te enxerga, seu papagaio ignorante. Cale a sua boca. Eu tenho cinco - cinco!!! - vezes mais atributos morais do que você.

- Você é um palhaço, estúpido e idiota; um débil mental que não merece lamber o pé da Demokrácia.

Todo santo dia era a mesma irritação. Xingavam-se sem parar, até caírem de cansados. Nunca chegaram às vias de fato, mas protagonizaram as discussões mais enfadonhas de toda a Grécia antiga.

Depois de alguns anos de gritaria diária, Epitemeu, que já não aguentava mais ouvir os dois ranhetando, decidiu intervir:

- Olha só, vocês são muito chatos. Além de chatos, burros. Será que não sacaram ainda que a minha filha não dá bola para nenhum dos dois? Nesse momento, ambos começaram a chorar.

Epitemeu prosseguiu:

- Outra coisa: Demokrácia é lésbica e está gamada na Themis. Sumam daqui!

Então, completamente desolados e destroçados, unidos pela dor que lhes arrancava o chão, Reinalduzevedos e Marcus Vilas decidiram ser amigos. E ficaram amigos.

Muito amigos.

Da União dos dois nasceu Efialtes.

 

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