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Re-União 2017

Socialistas e a crítica ao capitalismo

June 8, 2019

Não é novidade nenhuma para nós que socialistas critiquem tanto o capitalismo, a abstração que eles acham que é a responsável por todos os males da humanidade. Como são pessoas que não estudam economia, não estudam história – para aprender como foi na prática os mais de quarenta regimes socialistas que existiram pelo mundo, todos, sem exceções, verdadeiras desgraças totalitárias, tirânicas e assassinas – e tem uma visão demasiadamente simplória de mundo, é necessário que tenhamos paciência e discernimento ao dialogar com essa gente. Combater o socialismo é – em essência – combater a ignorância. 

 

Em primeiro lugar, socialistas não tem nem sequer a mais vaga noção do que seja capitalismo, e não raro confundem capitalismo com corporativismo. Socialistas que não são tão ignorantes – aqueles que ao menos conseguem discernir entre um e outro – são desonestos, pois ao criticar o capitalismo, jamais fazem uma distinção entre o que chamamos de capitalismo bom, que seria o capitalismo de livre mercado e o sistema laissez-faire, e o capitalismo ruim, representado pelo capitalismo de estado e pelo capitalismo clientelista. 

 

Os dois primeiros são corretos porque baseiam-se em produtividade. Os dois últimos, no entanto, são essencialmente malignos, pois baseiam-se em captura de renda; é o que dá origem a monopólios, oligopólios, cartéis, corporativismo, tráfico de influência e um pernicioso intercâmbio entre empresários clientelistas – que não são empresários de verdade – e a classe política.  

 

O capitalismo de estado e o capitalismo clientelista devem, sim, ser combatidos diariamente, de forma ferrenha e contundente. Ele concentra uma imensurável quantidade de poder e riquezas na classe política, e nos corporativistas associados aos oligarcas. Consequentemente, o que tal arranjo promove é a difusão da pobreza pela sociedade em larga escala, à medida que cartéis politicamente protegidos monopolizam o mercado, através de regulações e intervenções invisíveis que vão abocanhando a receita da população por meio de sofisticados mecanismos de captura de renda. 

 

A esquerda não está errada em promover o combate à formas maledicentes e perniciosas de capitalismo; embora devessem chamar de corporativismo aquilo que erroneamente qualificam como capitalismo. O seu grande equívoco, no entanto, está em não fazer uma distinção entre as diversas formas de capitalismo, recusar-se a reconhecer que o capitalismo é um sistema econômico muito mais complexo do que imaginam, e que – além de necessário – o capitalismo de livre mercado é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade. Repare nos países mais desenvolvidos do mundo: Singapura, Hong Kong, Suíça, Austrália, Estados Unidos, Chile, Nova Zelândia, Luxemburgo. O que eles tem em comum? Liberdade econômica. Esta é a verdadeira receita da prosperidade. A principal função do estado e do governo quando o assunto é o mercado não é regular, mas, acima de tudo, não atrapalhar.  

 

Infelizmente, vivemos em um país onde o capitalismo de livre mercado foi completamente asfixiado e suplantado pelo brutal, inflexível, tirânico, intervencionista e hiper-regulado capitalismo de estado, que beneficia exclusivamente os barões políticos, os oligarcas governamentais e uma abastada plutocracia corporativista. Muitas pessoas não entendem que é exatamente por isso que existe tanta pobreza no Brasil. As elites políticas e financeiras esquadrinharam arranjos econômicos que beneficiam única e exclusivamente a eles próprios. São bandidos oportunistas que fazem fortuna graças ao aparato regulatório e legalista do estado. 

 

Quando o assunto é economia, infelizmente não vamos encontrar um único socialista que tenha conhecimento. A ignorância patológica dos militantes faz com que os mesmos pensem que o estado é a solução para tudo. Não são capazes de compreender que o arranjo que defendem é justamente o que propicia o surgimento dos grandes cartéis oligopolistas que regulam o mercado, e difundem a miséria ao coibir a concorrência, levando não poucas empresas à falência através da competição desigual. Corporativistas adoram um estado grande, mas socialistas são crianças ingênuas que acreditam na fábula dos burocratas bonzinhos que não serão corrompidos.

 

E o que não faltaria no nosso caso são exemplos práticos; como o dos irmãos Wesley e Joesley Batista, que criaram um grande monopólio comprando políticos para criarem regulações que davam à sua empresa, a JBS, total primazia no mercado de carnes nacional. Podemos citar também a Delta Construções de Fernando Cavendish, que – através de uma insólita parceria com o bicheiro Carlinhos Cachoeira –, subornava políticos para obter contratos e licitações para obras governamentais em praticamente todas as esferas, municipal, estadual e federal. A Operação Saqueador, deflagrada há alguns anos atrás pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público, descobriu que a empresa havia surrupiado mais de trezentos milhões de reais dos cofres públicos. Durante o período em que esteve na presidência da companhia, Fernando Cavendish aumentou o patrimônio da empresa em mais de vinte vezes. Em pouco mais de uma década, mais de onze bilhões de reais – tudo dinheiro público – circularam pela empresa.  

 

Corporativistas e políticos não são inimigos. Muito pelo contrário, são dois lados da mesma moeda. Por isso tantos corporativistas apoiam a esquerda, pois eles desejam ardentemente um estado grande. Para os corporativistas, o estado é simplesmente um grande balcão de negócios. Quanto maior for o estado, maior será esse balcão de negócios; portanto maiores serão as possibilidades para a realização de negócios escusos, e tanto maior será o enriquecimento ilícito dessa gente. 

 

Corporativismo não é capitalismo. Ao menos, não é capitalismo de livre mercado; na verdade, ambos representam diagramas econômicos bastante distintos, divergentes e incompatíveis. Mas a ignorância dos socialistas infelizmente é aterradora quando o assunto é economia. Como já dizia Hayek, “se socialistas entendessem economia, não seriam socialistas”.

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