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Re-União 2017

O que podemos esperar das próximas delações de Palocci?

August 27, 2019

As delações premiadas de Antonio Palocci — o ministro da fazenda no governo Lula — realmente estão dando o que falar, por diversos motivos. Para começar, Palocci está expondo uma parte expressiva de toda a prodridão perpetrada pela quadrilha petista, em nome de um demagógico, desvairado e criminoso projeto de poder, enriquecimento ilícito de todos os envolvidos e expansão do totalitarismo político na África e na América Latina. Não é sem motivo que a gangue à qual Palocci pertencia tem feito de tudo para tentar desacreditá-lo, afirmando que suas declarações não passam de falácias e mentiras. Acontece que as revelações de Palocci, além de contundentes, são amparadas por provas irrefutáveis reunidas pela Polícia Federal. 

 

Recentemente, Palocci falou que a queridinha do partido, a sádica e prepotente Gleisi Hoffmann — presidente da quadrilha — teria recebido quase quatro milhões de reais de três empreiteiras, a Carmago Corrêa, a Odebrecht e a OAS. O repasse da Camargo Corrêa, no valor de um milhão de reais, foi feito com a condição de que uma procuração contra a empreiteira fosse anulada no STJ. 

 

Em uma delação deferida pelo ministro Edson Fachin, Palocci denunciou recentemente doze políticos, doze companhias e quatro bancos que teriam comprado favores dele e de outros integrantes da quadrilha petista. Palocci também abriu o bico sobre os esquemas esquadrinhados com ditaduras latinoamericanas e africanas, como Angola, Venezuela, Cuba e Guiné Equatorial, e sobre obras viabilizadas com verbas do BNDES. Palocci falou que as obras eram deliberadamente superfaturadas, para que o excedente pudesse irrigar as contas bancárias dos principais gestores da organização criminosa petista, localizadas em paraísos fiscais, bem como o caixa dois do partido e os cofres dos corporativistas amiguinhos do regime. A grande farra desenvolvimentista foi executada justamente para viabilizar o enriquecimento ilícito de todos os envolvidos. De antemão, já era sabido que as ditaduras estrangeiras parceiras da quadrilha petista não pagariam a conta. Evidentemente, o prejuízo sempre pode ser cobrado depois do contribuinte; ou seja, de mim, de você, da sua família, de toda a sociedade produtiva, que acaba pagando a conta de todo este criminoso e cínico descalabro desenvolvimentista. 

 

Como intermediário de boa parte desses esquemas, Palocci tem conhecimento de como a coisa funcionava; nas delações, forneceu detalhes de como os esquemas eram montados, como o espólio era dividido, de quem partiam as ordens e como funcionava a estrutura de todos os projetos de espoliação geridos pela organização criminosa. De todos os contratos firmados com as empreiteiras para os projetos internacionais realizados nas ditaduras amigas do regime, as empresas tiveram entre 2010 e 2014 um faturamento bruto estimado em dez bilhões de reais, dos quais quatrocentos e oitenta e nove milhões de reais foram pagos de propina ao PT. E isso que estamos falando apenas de uma pequena parcela, de um montante total que configura o maior saque aos cofres públicos realizados na história do nosso país, quiçá do mundo. 

 

Como estes esquemas específicos funcionavam apenas entre a alta cúpula do partido — e empreiteiras de propriedade de corporativistas amigos do regime —, o número de pessoas que sabe efetivamente tudo sobre estas contravenções é deveras reduzido. Não obstante, elas revelam de forma contundente e substancial o imensurável poder das empreiteiras sobre o estado e a estrutura geral do estado brasileiro, ecoando as palavras de Adib Jatene — ministro da saúde no governo Collor — que certa vez falou: "No Brasil, as empreiteiras definem a prioridade do estado". Com certeza, a realidade dos fatos confirma essa declaração como uma verdade irrefutável. 

 

Cada uma das empreiteiras tinha seu próprio modus operandi, e acordo particular com o PT. Não existia um "regulamento" homogêneo, uma padrão que todas deviam seguir. Por exemplo, enquanto a Queiroz Galvão superfaturava suas obras em 10%, a Andrade Gutierrez pagava 1% no valor de cada contrato adquirido. 

 

A farra foi tanta que a quadrilha petista eventualmente se descontrolou, e começou a abusar, achando que era intocável, e que permaneceria impune indefinidamente. Em dezembro de 2009 — quase dez anos atrás —, foram aprovados projetos para serem executados em Cuba, Nicarágua, Gana e Moçambique, no valor de um bilhão e duzentos milhões de dólares, o que seriam quase cinco bilhões de reais, em valores atuais devidamente reajustados. Em Gana, foi planejada uma usina hidrelétrica, cujo projeto era absolutamente impraticável, tanto do ponto de vista geográfico, quanto logístico, pois a área de escoamento da água chegaria até o país vizinho. A obra faraônica acabou sendo eventualmente substituída por uma simples e rudimentar estrada de terra, cujo valor foi estimada em apenas dez milhões de dólares. 

 

A gangue petista começou a incorrer em abusos torpes e megalomaníacos, com projetos injustificáveis, completamente desnecessários e não raro fantasiosos. Todos estes projetos delirantes eram aprovados, apesar de todas as suas inconsistências e incongruências, porque o Cofig, ao detectar ingerências e irregularidades, fazia vista grossa, e ao invés de se prontificar a investigá-las, simplesmente os despachava para a Camex, que os autorizava. Não obstante, a quadrilha petista não estava nem aí, queria continuar a farra monumental que enriquecia os cofres do partido e os seus apoiadores, as empreiteiras. Em 2010, Lula estendeu a linha de crédito para Angola — país comandado pelo sádico ditador José Eduardo dos Santos de 1979 a 2017 — por pressão da Odebrecht, que faturava mihões com obras superfaturadas no país africano. Naquele ano, Lula anunciou uma extensão de crédito de duzentos milhões de dólares ao seu amigo, o ditador angolano. Isso que o BNDES já havia sinalizado que Angola estava inadimplente. 

 

No final do ano, a Odebrecht fez um repasse ao PT no valor de trezentos milhões de reais, para financiar a campanha política de Dilma Rousseff, em troca de mais contratos. Neste quesito, a empreiteira começou a entrar em atrito com Palocci; isto porque a Odebrecht queria assumir cada vez mais projetos no mercado angolano, enquanto o ex-ministro pretendia incluir outras empreiteiras no esquema. Palocci afirma que a Odebrecht, no entanto, estava determinada a ter o monopólio das obras naquele país, ainda que já estivesse de posse de 85% dele.  

 

Todos os esquemas montados e arregimentados pelo PT envolveram diversas empresas brasileiras, até mesmo estatais como a Eletrobrás, que deveria participar da construção da hidrelétrica de Tumarín, na Nicarágua, em parceria com a Queiroz Galvão. Embora este projeto nunca tenha sido realizado — por falta de garantias —, a Eletrobrás perdeu valor de mercado na bolsa de valores de Nova Iorque, por suspeita de fraude, em decorrência do seu envolvimento em vários esquemas ilícitos, orquestrados pela cúpula petista. Para limpar o seu nome, a estatal teve que contratar uma empresa internacional para fazer uma auditoria, que acabou detectando uma série de irregularidades. 

 

As delações de Palocci — ainda que não absolvam sua conduta criminosa, nem o seu envolvimento nos referidos esquemas ilícitos — são a fagulha necessária para dar início ao grande incêndio que pode causar a destruição e a derradeira extinção do PT, a maior quadrilha criminosa na história da política mundial. O melhor de tudo é que isso é apenas o início de um extenso e revelador catálogo de crimes bárbaros, deploráveis e funestos, que ainda irão causar muito alvoroço e estremecimento entre a elite petista. Certamente, muitas outras revelações ainda virão à tona, e os brasileiros então terão oportunidade de tomar conhecimento sobre todas as tramas, conspirações, crimes e depravações perpetradas pelo PT durante os anos em que a organização criminosa permaneceu no poder.   

 

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