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Re-União 2017

Coreia do Norte será a catalisadora da Terceira Guerra?

September 14, 2019

Apesar dos esforços de Donald Trump para tentar conduzir a Coreia do Norte a uma reconciliação pacífica e amigável com os Estados Unidos — apelando insistentemente ao ditador Kim Jong-un para que desista de armazenar armas nucleares — seus esforços tem produzido pouco resultado prático. O déspota norte-coreano sabe muito bem como jogar o jogo do teatrinho político, aparentando ser dócil e diplomático quando isso lhe convém. No final das contas, no entanto, o que realmente interessa a Kim Jong-un é se armar ostensivamente e garantir a soberania do seu regime. 

 

No dia 24, aqui dia 23, as forças armadas norte-coreanas lançaram dois mísseis balísticos em direção ao Japão, um aliado de longa data dos Estados Unidos, e um inimigo juramentado da Coreia, que se ressente da ocupação japonesa — que ocorreu de 1910 a 1945 — até os dias de hoje. Os projéteis não atingiram o Japão, mas caíram no mar. A guarda costeira japonesa, no entanto, proibiu quaisquer embarcações de chegarem perto das ogivas, por receio de que estas possam conter material nuclear. Outro problema é a frequência com que tais testes vem ocorrendo. Este foi o sétimo lançamento, em menos de um mês. Os militares haviam cessado os testes no mês de maio, um pouco antes do presidente Donald Trump tornar-se o primeiro presidente americano a pisar em território norte-coreano. No final de julho, no entanto, os testes foram abruptamente retomados.  

 

Aparentemente, os testes foram retomados e com enorme frequência como uma resposta militar aos exercícios conjuntos que os exércitos americano e sul-coreano tem realizado na região. O governo norte-coreano acusou formalmente os dois países de estarem planejando entrar em guerra contra a Coreia do Norte. Surpreendentemente, Washington não está tratando o assunto com a seriedade que deveria, talvez por acreditar que — como em tantas outras ocasiões — isso não passe de mais um show pirotécnico, recurso de um regime despótico desesperado, cujo maior receio é perder a relevância e ser rechaçado do poder.  

 

No início do mês, Donald Trump recebeu uma carta de Kim Jong-un, onde o ditador norte-coreano condenava expressamente os exercícios militares conjuntos realizados entre os americanos e sul-coreanos. Kim escreveu que os testes anteriores teriam sido exercícios executados para deixar seu país de prontidão para responder a uma eventual invasão. Trump respondeu que, igualmente, não apreciava os exercícios militares entre o seu país e a Coreia do Sul, especialmente porque são muito caros; há um entendimento tácito entre os três países de que a parceria militar entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul pode prejudicar as negociações para que a Coreia do Norte abandone o seu programa de armas nucleares.

 

Isso, no entanto, parece deixar o Japão — que também é um aliado dos Estados Unidos —, em uma posição de extrema vulnerabilidade quanto a ataques, até porque faz muito tempo que a Coreia do Norte realiza exercícios balísticos, com projéteis que são apontados para o Japão, com frequência preocupante. Basta que um míssel de longo alcance, no entanto, passe sobre o mar e atinja alguma das ilhas, para que a situação escale para um conflito militar de grandes proporções.    

 

Evidentemente, o grande receio de Kim Jong-un é uma possível invasão a Coreia do Norte, que possa derrubar o seu regime, e consequentemente tirá-lo do poder. O ditador norte-coreano, obviamente, tomará todas as medidas possíveis para impedir que isto ocorra. A escalada armamentista, portanto — ao contrário do que alardeia a diplomacia internacional —, tende a aumentar, e não a diminuir. Podemos ter certeza que ali não ocorrerá desmilitarização nenhuma. Até porque Kim Jong-un trata todas as questões políticas e diplomáticas com grande desconfiança. Ele jamais permitirá que o desarmem, porque isso o faria se sentir extremamente vulnerável. A sobrevivência do regime depende completamente do seu poder bélico. 

 

A questão é que — se uma guerra realmente ocorrer — ela não permanecerá regional por muito tempo. Evidentemente, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul permanecerão aliados para lutar contra o reino eremita, como também é chamada a Coreia do Norte, em função do seu isolamento. No caso de uma agressão, a tendência dos aliados será responder prontamente e ir em auxílio da nação agredida, que muito provavelmente será o Japão. Este, por sua vez, muito prontamente responderá ao ataque. Eventualmente, a China irá interferir, possivelmente para auxiliar a Coreia do Norte, que na prática, é um estado satélite da China. Em pouco tempo, a Rússia irá interferir também. Ou seja, temos nesta região do mundo o caldeirão perfeito para um grande estopim, que espera apenas o momento certo para explodir. 

 

E por mais que tentemos ser otimistas, ao analisar o diagrama do cenário político —e o enorme conflito de interesses que ali existe —, alimentado por dois blocos conflitantes cujas ideologias são absolutamente incompatíveis, as tensões estão ficando cada vez mais evidentes e difíceis de administrar. E embora elas estejam crescendo gradualmente, a conta gotas, uma hora as tensões acumuladas inevitavelmente irão estourar. Com a impossibilidade de chegar a um acordo decisivo, e a desconfiança permanente da Coreia do Norte com relação a tudo e todos, que cresce a cada reunião diplomática, sendo uma mais contraproducente do que a outra, aparentemente, já não é mais uma questão de se haverá ou não uma guerra, mas quando. 

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