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Re-União 2017

Coringa:Não dá pra ficar impassível

October 8, 2019

Não é a primeira vez que o cinema, além de entreter, assume um papel social qualquer.
Basta lembrar da Segunda Guerra, quando eram produzidos filmes americanos e alemães para levantar a moral dos povos.

O Coringa de Todd Phillips e Joaquin Phoenix, entretanto, vai bem além disso.
A interpretação de Phoenix é espantosa.
Phoenix emagreceu 23 quilos para o papel e acaba atingindo, como um soco no estômago, todos aqueles que um dia se sentiram humilhados, espezinhados, injustiçados ou, como o próprio personagem declara:

(...) "não tive sequer um minuto de felicidade em toda a vida".
Com maior ou menor intensidade, acaba atingindo 99% da população do planeta.
O anonimato da miséria, uma vida sem sentido e a crueldade dos centros urbanos que massacram o indivíduo são colocados na tela sem perdão por Phoenix.

Essa é a grande violência contida no filme.
Não a violência física.
Mas é forte, incrivelmente verdadeiro. 
Nisso está o grande mérito de Coringa.
E o grande perigo.

A justiça -inesperada e irônica- que chega ao homem que não é o estereótipo do mal, mas apenas mais um numa multidão de massacrados pelo sistema, é uma alusão clara à uma sociedade pirada que cria seus heróis sem critério e sem discernimento.
Heróis como Guevara, por exemplo, assassino louco que acabou virando ídolo...e camiseta.

O perigo de Coringa é justamente esse: a enorme identificação que gera com o público e sua negação de estereótipos maniqueístas do bem e do mal.
Retratar a transformação -e a piração- desse homem, apenas mais um entre milhões, foi a façanha conseguida por Phoenix.
Assim como o Coringa de Ledger, marcará a história do cinema.
Não dá pra ver Coringa e ficar indiferente.
Coringa já ganhou um Leão de Ouro.
Vai ganhar mais.

Sobre Phoenix:
Além de ator e músico, Joaquin Phoenix é um ativista social que apoia várias instituições humanitárias e de caridade. 
É um dos diretores da The Lunchbox Fund, organização sem fins lucrativos que fornece refeições diárias a estudantes de escolas de Soweto, na África do Sul.

É conhecido também por sua defesa dos direitos dos animais, é vegano desde pequeno e faz campanhas para a In Defense Of Animals.

Começou no cinema em 1986, com SpaceCamp, e uma das atuações em que ficou conhecido no Brasil foi ao interpretar Commodus no épico Gladiador, de 2000.

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