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Re-União 2017

Por que Enéas não conseguiu ser presidente do Brasil?

November 14, 2019

Enéas Ferreira Carneiro concorreu à presidência da república em três ocasiões—1989, 1994 e 1998—com propostas que efetivamente poderiam ter produzido resultados efetivos para o desenvolvimento do Brasil. Um nacionalista verdadeiramente preocupado com o futuro da nação, ele queria um Brasil para os brasileiros; Enéas Ferreira Carneiro pretendia romper de forma drástica, em definitivo, com o establishment político oligárquico, corrupto e elitista que governava o Brasil há décadas. No entanto, comprou uma briga que—como ele próprio aprenderia com o passar do tempo—dificilmente conseguiria vencer.  

 

Foi justamente por falar verdades contundentes e perturbadoras, e acima de tudo, por ter comprado uma briga ferrenha contra o sistema, que ele jamais foi eleito. A mídia—juntamente com todos os integrantes do sistema político tradicional—fizeram de tudo para difamá-lo, e impedir que este bem intencionado cardiologista, natural de Rio Branco, adquirisse proeminência entre a população. Muito antes de Jair Bolsonaro, Enéas Ferreira Carneiro já era rotulado como fascista, ditador e autoritário, entre muitos outros epítetos degradantes e depreciativos. Todas as campanhas difamatórias ostensivamente difundidas pela mídia eram subsidiadas pelas grandes oligarquias políticas que não queriam que Enéas fosse presidente. 

 

Enéas nunca foi um político profissional, e nunca se sustentou com a política. Antes o contrário, foi um dos pouquíssimos indivíduos na história do Brasil que perdeu dinheiro com a política, ao invés de ganhar. Todas as despesas de suas campanhas presidenciais foram custeadas com o próprio dinheiro, e inicialmente, antes de adquirir projeção nacional, o PRONA—Partido da Reedificação da Ordem Nacional—fundado pelo próprio Enéas, teve todos os seus custos inteiramente pagos por ele, que nunca recebeu auxílio ou financiamento externo para nada. Durante toda a sua vida adulta, Enéas exerceu as profissões de médico e professor, e era com os dividendos oriundos do seu trabalho que Enéas pagava todas as despesas que a política trazia.  

 

Enéas era literalmente um arqui-inimigo de todo o sistema político tradicional. Enéas se opunha ativa e energicamente contra os gigantescos e exorbitantes privilégios dos quais a classe política usufrui. Para ele, não era moralmente correto falar em carreira política; mesmo indivíduos envolvidos em política deveriam trabalhar, exercer suas respectivas profissões, e receber apenas uma ajuda de custo. Políticos deveriam trabalhar pelo futuro e pelo desenvolvimento da nação, e não dela tirar vantagem. Ele também considerava detestável asfixiar uma sociedade majoritariamente pobre com elevadíssimos impostos, obrigando cidadãos com poucos recursos a custear os enormes benefícios da classe dirigente. No programa Matéria Prima, da TV Cultura, de 1990, Enéas disse: "Por que no Congresso nacional (...) os congressistas não poderiam ir lá, uma semana apenas por mês, ou uma vez por semana, e ganharem apenas algo simbólico, continuarem nos seus empregos? (...) Nas reuniões o plenário está vazio sempre! Eles nunca estão lá. Estão cuidando dos seus interesses. Por que não irem lá quando é necessário, (...) e terem uma vida como cidadãos normais? Por que desfrutar de tanta pujança? Por que ter carro oficial (...) enquanto o cidadão não tem nada?" Enés relutou muito em ingressar na política justamente pelo fato desta ser um meio onde se agrupam os piores elementos de uma sociedade. Nessa mesma entrevista, ele complementou: "Eu tenho noção plena de que as pessoas que tem arrumação cromossomial específica bem feita não vão para a política. Pra política, vai o que não presta."

 

A grande maioria dos brasileiros realmente não tem a menor noção, consciência ou entendimento dos enormes desafios e dos imensuráveis obstáculos que Enéas passou a enfrentar, quando ingressou na política. Em função do fato de que não tinha influência alguma no meio político, nas campanhas presidenciais que disputou, o tempo que Enéas tinha de televisão era exíguo; na primeira campanha, foram apenas quinze segundos. Sua capacidade de ser claro, objetivo e falar rapidamente chamou muito a atenção na época, sendo motivo tanto de admiração quanto de anedotas. Seu famoso bordão "Meu nome é Enéas" ganhou notoriedade de norte a sul do Brasil. 

 

A mídia, é claro, fez de tudo para ridicularizá-lo e pintá-lo como um louco desvairado. Infelizmente, lograram êxito em seu intento, não são poucos os brasileiros que até hoje pensam em Enéas como um maluco excêntrico, sem nunca parar para pensar que esta foi uma imagem deliberadamente construída pela mídia nacional para arrasar toda e qualquer credibilidade que ele pudesse adquirir. Como Enéas dizia, se dessem a ele um tempo de três minutos para falar, as eleições acabavam; ele ganharia com folga. No entanto, a ausência de espaço na mídia tradicional durante as campanhas presidenciais, deliberadamente arquitetadas pelos seus influentes opositores políticos para que fosse tão exígua quanto inexpressiva, acabou limitando severamente o alcance da sua mensagem, o que era a intenção de seus opositores. Não permitiam a Enéas que falasse mais do que duas frases bem curtas. Em todos os programas de entrevista de que participou, nunca permitiram a Enéas explicar claramente quais eram suas convicções e posicionamentos. Nunca permitiram que ele fosse ouvido, tampouco que transmitisse de forma cristalina seu lúcido e impecável raciocínio. Ao longo de toda a sua carreira política frustrada, Enéas nunca pôde falar uma única sentença sem ser interrompido. Nas pouquíssimas ocasiões em que não era interrompido, distorciam suas palavras de forma grosseira. Acima de tudo—ao contrário da grande maioria dos políticos—Enéas era um erudito autodidata, um intelectual de primeira categoria, que tinha um impecável conhecimento técnico em diversas áreas, que iam da macroeconomia a geopolítica, passando por campos diversos como filosofia e gestão de políticas públicas a ciências sociais e antropologia. Ou seja, um verdadeiro erudito, como pouquíssimos na história da política nacional, sempre saturada de rufiões aproveitadores, de sanguessugas cínicos e demagogos oportunistas.   

 

Além de lutar genuinamente pela pátria que amava, Enéas já alertava sistematicamente os brasileiros sobre o perigo que Lula e o PT representavam para a nação, muito antes destes alcançarem o poder. Agora fica a pergunta, por que nós não o ouvimos? Por que permitimos que a extrema imprensa covardemente assassinasse sua reputação? De quanta destruição e ruína não teríamos poupado o país, se tivéssemos prestado um pouco mais de atenção em suas palavras?  

 

Como um indivíduo que efetivamente pretendia romper drasticamente com o establishment, e tirar o poder das grandes oligarquias políticas que sempre comandaram o Brasil, Enéas comprou uma briga que realmente não poderia ganhar. Ele esperava despertar o povo brasileiro; a população, no entanto—anestesiada por uma mídia escandalosamente mentirosa, e por um sistema político saturado de interesses escusos—em sua grande maioria, não foi capaz de entender a situação do país.

 

Sempre coerente com seus posicionamentos e convicções, mantendo a integridade do seu caráter, Enéas nunca fez alianças com partidos políticos. Ele chamava o sistema político brasileiro de "putrefato", e falava abertamente—com todas as letras, para quem quisesse ouvir—sobre as ingerências e interesses que efetivamente contaminavam a estrutura do estado brasileiro; uma estrutura que servia para expropriar, espoliar e vender as riquezas nacionais a preço de banana, deixar o Brasil em posição de total subserviência com relação ao sistema financeiro internacional, fomentar a pobreza para colocar a culpa no capital e manter a população dependente do sistema político. Ele também explicava sem nenhum pudor como a classe política e as grandes oligarquias corporativas ficavam excepcionalmente ricas explorando o Brasil das formas mais espúrias e deploráveis possíveis. 

 

É evidente que se Enéas tivesse sido presidente, o Brasil não teria se transformado em um paraíso. No entanto, teríamos nos aproximado um pouco do país que queremos, um país mais livre, com mais autonomia, com cidadãos usufruindo das riquezas naturais, minerais, vegetais—que hoje são propriedade exclusiva de grandes corporações estrangeiras, com o total aval das grandes oligarquias políticas, que enriquecem avidamente servindo aos interesses do sistema financeiro internacional—tão abundantes em nosso território; enfim, poderíamos ter sido um país um pouco mais independente, mais preparado para enfrentar a escravidão da tirania imposta pelos globalistas. Também seríamos um país mais preparado para enfrentar as abominações e depravações da agenda progressista e das sórdidas imposições globalistas capitaneadas pela ONU.

 

Sempre rotulado como um fascista autoritário, um fanático excêntrico de extrema-direta—e é necessário reiterar que para Enéas, como ele próprio constantemente afirmava, a dicotomia direita-esquerda era considerada anacrônica e obsoleta, para ele o mundo se dividia em globalistas e patriotas—a verdade é que Eneás era um homem muito a frente do seu tempo, que previu não apenas um ou dois, mas todos os problemas que o Brasil enfrenta hoje, duas décadas antes de eclodirem. Sendo um astucioso analista da geopolítica mundial, Enéas previu o frenesi globalista que tomaria o mundo de assalto, com disposição para escravizar todas as nações, principalmente o Brasil, em função de suas abundantes riquezas naturais. 

 

A verdade é que Enéas foi um guerreiro, um visionário, um homem muito, mas muito à frente do seu tempo. Ele previu com espantosa e incisiva exatidão todos os problemas dos quais sofremos hoje, duas décadas antes deles acontecerem. A culpa é nossa, por não o termos colocado aonde deveríamos, quando tivemos a chance. E ele nos deu essa oportunidade três vezes. Teria havido uma quarta, em 2006; no entanto, Enéas desistiu, em virtude de sua saúde debilitada. Nessa época deputado federal por São Paulo—tendo sido eleito com o maior número de votos para o cargo na época, 1,5 milhão—, muito doente, ele lutava contra a leucemia. Em 6 de maio de 2007, ele morreu, aos 68 anos. Se estivesse vivo, no entanto, deveríamos era pedir-lhe as mais sinceras desculpas. Enéas lutou ativamente pelo Brasil, sem nunca receber um gesto mínimo de gratidão.   

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