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Re-União 2017

Ascensão e queda do Cocaleiro

November 19, 2019

A ascensão de Evo Morales é muito similar a de qualquer político socialista. Via de regra, eles vem todos de origem humilde, falam sobre a pobreza com certo conhecimento de causa, detestam o capitalismo — a quem culpam por todos os males que acometem a humanidade — e usam uma grande diversidade de estratégias populistas para chegar ao poder. Quando lá chegam, é claro, não querem mais sair. Querem permanecer no poder indefinidamente, a exemplo do seu grande líder e mentor, o falecido Fidel, a desgraça de Cuba — que Satanás, o Diabo, o carregue.  

 

Evo, Lula, Hugo Chávez, são todos análogos. Variações da mesma triste e deplorável história. Que vieram todos de origem humilde não dá para negar. Que deram algumas esmolas assistencialistas para os pobres quando estiveram no poder, isso também não dá para negar. Que se locupletaram avidamente do estado, e tornaram-se todos absurdamente ricos, seria hipocrisia negar. É sempre assim. A mesma trajetória, que, apesar de algumas particularidades insignificantes, apresenta sempre os mesmos resultados finais. Riquezas para o ditador e sua cúpula privilegiada de associados, e miséria, desgraça, tirania e medidas populistas paliativas para a população. De todos os aprendizes de Fidel, Hugo Chávez foi o mais bem sucedido, pois conseguiu implantar a sua ditadura e permaneceu no poder até morrer. Lula, Dilma e o PT foram escorraçados aqui no Brasil; no entanto, tentam desesperadamente retornar ao poder. Na Bolívia, Evo Morales foi obrigado a renunciar, em decorrência da constatação de fraude nas eleições, e de que, como todo ditador socialista, ele estava se valendo de meios aparentemente democráticos para se perpetuar no poder. A esquerda está sendo escorraçada do poder em vários países, por populações que compreenderam o perigo catastrófico que a ideologia tirânica dessa gente representa.  

 

Juan Evo Morales Ayma nasceu em 1959, integrante da tribo indígena dos Aymaras. Em função de suas atividades em plantações de coca, no final da década de 1970, ele se juntou a um sindicato de cocaleiros; assim como foi o caso da família de Evo, no princípio da década de 1980, era comum famílias de bolivianos se mudarem para as regiões rurais mais férteis do país, apesar de pobres, para plantar coca. Em virtude da enorme demanda que existe no mercado pela planta, era possível conquistar uma renda considerável com plantações de coca, que pode ser cultivada diversas vezes por ano. Ao contrário do que muitos pensam, a planta não é usada exclusivamente para o cultivo da cocaína, pois trata-se de um ingrediente medicinal tradicional da cultura andina. Não obstante, é fato que a cocaína deriva dessa planta, e diversos hectares de inúmeras fazendas na Bolívia não só foram como são cultivados até hoje com o derradeiro objetivo de abastecer os cartéis internacionais de drogas. 

 

Como sempre, uma coisa leva a outra. As agremiações sindicais levaram Evo a interessar-se por política. O envolvimento de Evo Morales na política começou na década de 1990, um pouco antes da formação da ASP, a Asamblea por la Sobernía de los Pueblos; a partir de então, Evo ficaria conhecido como ativista cocaleiro e representante dos movimentos indígenas. Aos poucos, ele foi conquistando espaço com seu ativismo político, gradualmente galgando etapas até chegar ao poder. Desde o princípio de sua militância, Evo expunha suas convicções políticas de esquerda. Era assumidamente socialista, condenava abertamente o capitalismo e seu discurso era muito similar a de seus congêneres canhotos latino-americanos. 

 

A partir de então, sua militância e seu engajamento político ficariam cada vez mais acirrados. Em poucos anos, ele conquistou relevância a nível nacional, e em pouco tempo sua reputação provara ser coesa o suficiente para que ele pudesse enveredar por uma carreira política. Em 2005, ele se elegeu presidente da Bolívia, e assumiu a presidência em 22 de janeiro de 2006. Primeiro líder político indígena do seu país — em uma nação majoritariamente indígena, com 62% da população se identificando como tal — Evo à princípio parecia ser o que todo político socialista aparenta ser: uma promessa. Um indivíduo pobre e humilde, que vai governar para os pobres e humildes. Um guerreiro audaz, destemido e contumaz, que vai destronar as privilegiadas oligarquias reinantes que sempre mantiveram o país na pobreza, na escravidão e no atraso. No entanto, tudo não passa de fachada, um apanhado de mentiras muito bem amarradas a ideologias mundanas e ardis populistas, para se manter no poder, alegando que isto é realizado em benefício do povo. 

 

Como todo socialista, Evo Morales sempre foi um político autoritário, cujo maior interesse era se perpetuar no poder, como seus comparsas já falecidos, Fidel Castro e Hugo Chávez. Há alguns anos, Evo chegou a tentar proibir o cristianismo na Bolívia, com o aval de uma nova constituição, de caráter nitidamente autoritário. Ele pretendia prescrever completamente a evangelização cristã e o trabalho missionário, argumentando que "a liberdade é uma concessão do estado". Não obstante, o cocaleiro voltou atrás, em decorrência da repercussão terrivelmente negativa que a perseguição contra cristãos deflagrada pelo seu governo ocasionou, despertando indignação a nível mundial. A nova constituição também foi abandonada; no entanto, Evo argumentou que decidiu deixá-la de lado para evitar que a direita boliviana fizesse mal uso dela. Ele afirmou que posteriormente, retomaria o diálogo com a sociedade civil, para implementar a medida de uma forma mais branda e suave. Pura ladainha. Como todo socialista, Evo é um anticristão, um mandatário autoritário que pretendia estabelecer o estado como soberano sobre tudo e sobre todos. A religião cristã incomoda, porque socialistas são criaturas despóticas, que não desejam competir com Deus. Antes o contrário, desejam assumir o seu lugar. Por isso, tem o anseio de eliminar a religião, e precisam de um estado totalitário para isso.   

 

Como todo ditador interessado em se perpetuar no poder, Evo e seus criminosos assessores fascínoras fraudaram as eleições, porque o cocaleiro pretendia se consolidar como um déspota político, disposto a tudo para implementar sua tirania de matriz bolivariana. Ao contrário do que aconteceu na Venezuela, no entanto, na Bolívia, Evo não conseguiu se perpetuar no poder, porque as forças armadas não permitiram. Na Bolívia, até mesmo a polícia e as agências de segurança do estado amotinaram-se, ficando ao lado da população, ao invés de apoiar o tirano. A polícia recusou-se a reprimir sublevações e protestos populares. Fantástico. O que faltou na Venezuela, sobrou na Bolívia; patriotismo, caráter, bondade, moralidade, senso de dever e responsabilidade. Se o aparato de repressão estatal tivesse ficado ao lado de Evo, teria sido muito fácil para o ditador cocaleiro replicar na Bolívia o que aconteceu na Venezuela.   

 

Evo, portanto, foi escorraçado porque os militares foram leais à pátria que juraram proteger e defender, ao invés de serem submissos a um político ambicioso e totalitário, com irrefreável ambição pelo poder. Inicialmente, Evo parecia ter aceitado com certa conformidade e resignação o fato de ter sido deposto. Pouco tempo depois, no entanto, certamente por pressão da esquerda latino-americana, o cocaleiro começou a falar em golpe, termo que a esquerda — cujo padrão de comportamento é sempre totalitário e antidemocrático — normalmente emprega quando é rechaçada do poder. Evidentemente, como todo esquerdista, a retórica de Evo está saturada de vitimização. Ele pretende passar a imagem de que é um pobre coitadinho, que está sendo vítima de um ataque engendrado pela ambiciosa e oligárquica elite imperialista.  

 

A verdade é que Evo nem poderia ter disputado estas eleições.

A constituição da Bolívia proíbe expressamente o presidente de exercer um quarto mandato. No entanto, apesar de inconstitucional, o Supremo Tribunal Eleitoral da Bolívia aceitou sua candidatura. Como se esse fato — um verdadeiro golpe de estado — fosse pouco, a vitória de Evo nas eleições foram claramente fraudadas. A auditoria posteriormente realizada pela OEA constatou que as atas eleitorais foram falsificadas, os relatórios das diferentes sessões eleitorais tinham todos a mesma caligrafia, o que é no mínimo altamente suspeito, e o número total de eleitores foi inflado, pois não correspondia ao número real de cidadãos bolivianos votantes no país e no exterior. A presidente do Supremo Tribunal Eleitoral da Bolívia chegou a ser presa, acusada de cúmplice da fraude. 

 

Pouco tempo de sua renúncia, Evo Morales buscou asilo político no México. Ora, por que será? Como disse o jornalista e apresentador peruano Jaime Bayly, Evo há muito tempo faz negócios com o cartel de Sinaloa, sendo um associado do famoso Joaquín Archivaldo "El Chapo" Guzmán, o famoso barão do narcotráfico mexicano. No México, portanto, ele encontrou um refúgio seguro. Além disso, as autoridades políticas mexicanas — majoritariamente de esquerda —, também estão ao lado de Evo, e reforçam a narrativa de que o ditador boliviano foi vítima de um golpe.  

 

Na terça-feira, dia 12, a senadora Jeanine Añez assumiu como presidente interina da Bolívia. Neste mesmo dia — em um momento de delírio político —, Nicolás Maduro, o ditador psicopata da Venezuela, "exigiu" que o alto comando militar da Bolívia restituísse Evo ao poder.

 

Os bolivianos lutam por liberdade, contra a tirania de uma ditadura socialista que estava em estágio avançado de consolidação. Assim como no Brasil, no entanto, e em todos os demais países do continente, a vitória da direita não é garantida. A esquerda não dorme no ponto, jamais. E sabemos que subestimá-la é um grave equívoco. Nenhum país do continente — nem mesmo os Estados Unidos — está livre do perigo de um presidente de esquerda, nas próximas eleições. 

 

Apesar de Lula estar inelegível, nada impede que o STF mexa os pauzinhos para Lula disputar as eleições de 2022. Não podemos esquecer jamais que a constituição não passa de um pedaço de papel; aqueles que estão no poder vão mudar a legislação sempre que ela não atender aos seus interesses. Já vimos o STF fazer isso centenas e centenas de vezes. A constituição não vale nada, salvo quando o que está escrito coincidentemente atende aos interesses da máfia criminosa. Não podemos duvidar nem por um segundo que — quando chegar a hora — o entendimento constitucional da legislação eleitoral irá mudar, e será alterado para atender aos interesses políticos da esquerda, que ainda está no controle do  estado. Achar que este perigo não existe é uma grande ingenuidade. Inclusive, é para isto que o Grupo de Puebla vem se reunindo, para reorganizar a retomada de poder da esquerda latino-americana em todo o continente. A vitória do esquerdista Alberto Fernández na Argentina reacendeu o fôlego e as esperanças da esquerda de continuar lutando pela hegemonia absoluta. 

   

O apoio aos bolivianos na sua luta contra a tirania escravagista da esquerda deve ser incondicional. Assim como aconteceu aqui com Lula e seus sicofantas do PT, daqui para frente, Evo Morales vai repetir à exaustão a narrativa de que foi vítima de um golpe, e certamente fará tudo o que estiver ao seu alcance para retornar ao poder. Quando uma população exaurida da escravidão de que é vítima decide se rebelar e lutar por liberdade, no entanto, a chama da esperança se acende. Só que esta é uma luta contínua, da qual não há pausa, nem descanso; afinal, o menor descuido pode levar a esquerda a voltar ao poder. 

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