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Re-União 2017

And the Oscar goes to...

February 9, 2020

Hoje ocorre a maior premiação do cinema, a tão aguardada noite do Oscar. 

O único lado bom, ao meu ver, desta festa, é que para cinéfilos, como eu, sempre é uma das melhores épocas para apreciar bons filmes. Tudo já esquematizado, organizado, para ser indicado, mas nós, reles mortais consumidores, agradecemos sempre a boa safra.

Este ano a cerimônia repetirá o esquema do ano passado, dispensando a figura do apresentador, substituindo-o por astros e estrelas (na grande maioria sem a menor graça) para deixar a festa mais chata e cansativa.

Ao menos no passado, humoristas brilhantes como Billy Cristal e Steve Martin colocavam um tempero especial para deixar a noite um pouco menos indigesta. Mas com a polícia do politicamente correto, piadas foram limadas e com elas, a graça partiu junto e de mãos dadas.

A grande repercussão do monólogo de abertura do Globo de Ouro, feita cheias de verdades ácidas por Ricky Gervais, ligou o sinal de alerta da Academia que optou em manter o perfil “sacro-santo-lacrador”, evitando o risco de magoar a trupe de milionários mimados adornados em smokings, Botox e vestidos de milhões de dólares.

 

Na principal categoria, a de melhor filme, este ano a briga será dura, mas ao que tudo indica, o palhaço de Gotham City pode faturar o careca dourado. O filme Coringa é a estrela da noite e teve 11 indicações, inclusive melhor diretor e melhor ator, diga-se de passagem, premiação mais do que certa e merecida. O ano foi mesmo de Joaquin Phoenix.

 

A zebra no caminho de Coringa é o espetacular 1917, filme que já rendeu prêmios aos seus produtores e ao diretor Sam Mendes. A epopeia de dois jovens na primeira guerra mundial executada numa filmagem sem cortes perceptíveis, dando a impressão de ser feira num plano de sequência, garante o Oscar de fotografia, desbancando até o complexo (e meu favorito) Farol do diretor Robert Eggers.

 

Na categoria de melhor atriz, Renée Zellweger já está com a estátua nas mãos por sua performance como Judy Garland, apesar de meu voto ser para Scarlett Johansson ppr sua atuação em História de Um Casamento, que provavelmente premiará a coadjuvante Laura Dern.

 

O prêmio de ator coadjuvante vai com toda certeza para Brad Pitt, que por sua atuação como o dublê de Era Uma Vez em Hollywood, arrebatou todos prêmios que concorreu. O astro até contratou roteiristas para os constantes discursos de agradecimento cheios de piadinhas. 

 

Uma pena é ver Al Pacino e Joe Pesci disputando a mesma categoria e, comercialmente (é assim que Hollywood funciona), sem muitas chances, apesar do trabalho excepcional de ambos. O grande espanto da categoria é Tom Hanks ser indicado por seu monocórdio (e caricato) Fred Rogers, enquanto Willem Dafoe, brilhante em Farol, foi ignorado. 

 

O Oscar de direção talvez seja a grande incógnita da noite.

Sam Mendes por seu 1917, Todd Phillips por Coringa e Scorsese por Irlandês, possuem enormes chances, mas talvez o queridinho de Hollywood, Tarantino, por sua declaração de amor à cidade e sua homenagem póstuma à Sharon Tate (sua morte prematura é uma cicatriz em Los Angeles), seja a grande zebra e saia, pela primeira vez, com um Oscar de melhor diretor.

Bom, ao menos de mãos vazias ele não sai, já que o de roteirista original, segundo consta, está pronto para dividir espaço com os outros dois que já enfeitam sua estante.

 

Já o de roteiro adaptado, talvez vá para Coringa, mas eu ficaria feliz se Jojo Rabbit ganhasse, pois a fábula poética do menino que tinha Hitler como amigo imaginário é uma crítica brilhantemente metafórica sobre má influência e intolerância. E pra completar tem David Bowie na trilha.

 

Parasita leva o Oscar de filme estrangeiro, sem chance alguma para os demais. O restante da premiação se concentra em prêmios técnicos, e eu teria de me alongar aqui, então deixemos Hollywood surpreender, ou fazer como sempre faz, apostando no óbvio.

 

Torçamos apenas para que “For Sara”, um documentário realmente de verdade, desbanque o “mocumentário” da menina estúpida e mimada do Brasil. A história da diretora Síria que registrou todo conflito em Allepo é de cortar o coração. O filme é tenso, forte e consegue ser emocionante.

Enfim, que o cinema seja sempre o grande vencedor da noite.

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